David Chang: badalado chef novaiorquino


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Não posso confiar cegamente em quem não gosta de uma boa farofinha
Não posso confiar cegamente em quem não gosta de uma boa farofinha

Estou há dias tentando achar uma maneira de falar sobre o grande evento gastronômico que foi o Mesa SP/2012 e simplesmente não consigo ir além dos fatos: aconteceu entre os dias 5 e 9 de novembro no Senac de Santo Amaro, na capital.

Pois bem, fui ver a quantas andava o Mesa Tendências, que é uma das divisões do evento, e buscar, quem sabe, a inspiração. Encontrei tantos chefs convidados que, se dividir as cabeças pelos minutos totais do evento, me pareceu impossível haver tempo hábil para a palestra de todos eles: a barra do computador não cansava de descer e me apresentar um novo chef.

Mas os textos, quando querem ser escritos, dão um jeito de aparecer. Pois bem, encontrei na revista Prazeres da Mesa o nome David Chang, encontrei a foto dele como presença confirmada para o evento, vi que ele tem um “zilhão” de seguidores no Twiter e que faz uma revista louca, onde conta as suas conversas com outros chefs e consegue vender 100 mil exemplares. E o melhor: li no blog da jornalista Alexandra Forbes uma crítica do principal restaurante do chef.

Antes um pouco de história. A vida de Chang é daquelas lendas urbanas bem-sucedidas que adoramos ler e contar aos outros e sentenciar ao final: tá vendo? Quando se quer, se consegue!

Dizem que o pai dele chegou aos EUA com apenas US$ 50 no bolso -são imigrantes coreanos. O rapaz quis estudar gastronomia, começou bem debaixo, sendo quase “escravo” num famoso restaurante novaiorquino.

Bem, o estrelato chegou com a abertura de seu Momofuku Ko. O legal é que esse restaurante serve nada mais nada menos que lámen, o macarrão japonês, sabe miojo? Pois é, ele é um especialista nisso. Claro que estou apenas esclarecendo a espécie da comida. Porque, por óbvio, não deve ter grau nenhum de comparação. O restaurante também é diferente do que se espera de um duas estrelas do Michelin. Tem apenas 13 mesas mal acomodadas num corredor.

Os cozinheiros explicam cada prato servido meio que aos berros, porque a música que rola no restaurante é um rock-and-roll de arrepiar os cabelos. Acho que ele pensou numa experiência gastronômica completa. Aliás, põe completa nisso: a comida é notabilizada pela mistura da técnica francesa, uma dose do gosto americano, ingredientes e receitas coreanas e japonesas. A partida são os sabores asiáticos, que ele vai equilibrando ao gosto do cliente americano e europeu.

Há 15 dias, David desembarcou por aqui - quase cancelou a vinda porque o seu império de restaurantes estava sem água e luz, devido à passagem do furacão Sandy - e rodou São Paulo ao lado da Alexandra Forbes.

Comeu tudo o que foi possível. Almoçou no restaurante Tordesilhas, da chef Mara Salles, referência em brasilidade. Comeu no Dalva e Dito, se deliciou até as 5 da manhã com as nossas caipirinhas. E, para completar o clichê, assistiu ao ensaio de uma escola de samba paulista!

O chef também experimentou farofa no Sujinho e ficou indignado com o farelo frio e seco, embora tenha reconsiderado quando comeu a farofa no D.O.M. Adorou arroz com feijão e nossas frutas e pimentas.

Fiquei pensando se Chang soube que também foi “experimentado” pela jornalista tempos atrás. E é com as palavras dela sobre a comida dele que termino por aqui.

“No dia 11 de maio, ao acordar, postei no Twitter: Jantar ontem à noite talvez tenha sido a maior decepção da minha carreira. Ainda tentando entender o quão decepcionante foi. (...) Afinal de contas, depois de incontáveis tentativas frustradas de reservar lugares naquele famoso e pequeno balcão, fui jantar lá e... A experiência ficou quilômetros aquém das minhas expectativas. Saí do Ko inconsolável, triste mesmo.”

Eu não conheço a comida dele. Só sei que, como descendente de nordestino e mineiro, não posso confiar cegamente em quem não gosta de uma boa farofinha.


Dica da semana

O mundo mediterrâneo greco-romano usava o econômico azeite de oliva no lugar da manteiga. Para nossa sorte, seu fruto, a azeitona, advém de uma árvore extraordinariamente resistente e tolerante às secas que são naturais na região oriental do Mediterrâneo e incrivelmente capaz de sobreviver e frutificar por mais de mil anos! Quando regamos nossa saladinha verde com aquele azeite maravilhoso não pensamos em quantos anos terá a oliveira que propiciou aquele óleo... Mas é incrível.

Em verdade, bons azeites são para serem apreciados puros, sem outros temperos. Mas, se temos aquele azeite mais ou menos podemos incrementá-lo com algum tempero, mas sem aquecer o azeite não conseguimos tomar emprestado o sabor de outros alimentos. Uma boa receita de Rita Lobo, para temperar o azeite é a seguinte:

Ingredientes: 250 ml de azeite: 2 dentes grandes de alho

Modo de preparo

1. Escolha uma garrafa ou pote de vidro onde o azeite será colocado.
2. Numa panela, coloque o azeite e leve ao fogo médio, até esquentar, mas sem deixar ferver.
3. Descasque o alho e coloque no vidro.
4. Desligue o fogo e transfira o azeite para a garrafa com o alho. Espere esfriar e tampe. O ideal é deixar tomando gosto por uma semana.

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