Memória cósmica


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O título deste texto é o de livro que acabo de ler (e saborear), de autoria do Dr. Hermínio C. Miranda, a nosso ver, um dos mais lúcidos escritores espíritas encarnados. Nas obras de sua autoria, como a que agora comento, além da inteligibilidade e pertinência da abordagem, agrega, ainda, à guisa de subsídios, esclarecedores comentários. É que o autor é detentor de grande erudição, inobstante escrever de maneira fácil e atraente.

Apresenta-nos aprofundado estudo de um outro livro cuja tradução executava diligentemente, trabalho em que se frustrou tristemente por irremediável avaria nos já engordados arquivos virtuais. Na dúvida se deveria, ou não, recomeçar a tradução, optou, providencialmente, por escrever, na língua pátria, um livro sobre aquele que traduzia, cujo título A alma das coisas (em inglês, The soul of things), abriga trabalho sério do também erudito Dr. William Denton, mas relegado ao esquecimento por quase século e meio.

Vale ressaltar que Dr. Hermínio, movido pelo grande interesse na análise do referido trabalho, por tratar do instigante psiquismo das coisas, venceu grandes dificuldades para tê-lo em mãos, sobretudo levando em conta a importante participação da esposa do autor, quer na coautoria, quer na condição de sensitiva a facilitar-lhe a pesquisas psíquicas.

No livro que, então, passa a analisar, Dr. Hermínio vê relacionadas 110 experiências psíquicas realizadas pelo casal, todas focadas na psicometria, isto é, na possibilidade de as coisas registrarem os acontecimentos de que fizeram parte, tudo isso sem que o casal Denton fosse espírita ou defendesse os postulados do Espiritismo. Convém notar que, posteriormente, já como pertinente tema dos estudos espíritas, a psicometria veio a ser objeto da atenção do célebre pesquisador espírita, o engenheiro italiano Ernesto Bozzano, que, entre outros trabalhos sérios, publicou o excelente Enigmas da psicometria.

Diz a psicometria que os objetos que nos rodeiam, os móveis que se nos parecem indiferentes ou o objeto da nossa maior estimação, gravam, de maneira indelével, tudo o que acontece em seu redor.

Algumas pessoas, dotadas de sensibilidade específica, ao entrar em contato com eles, passam como que a ‘sentir’ as cenas passadas de que participaram ainda que passivamente. Um psicômetra poderia, por exemplo, ao tomar contato com um relógio que pertenceu a determinada pessoa, descrever acontecimentos vividos pela referida pessoa.

Não se trata especificamente de mediunidade, portanto não há interferência dos espíritos. Trata-se de uma sensibilidade ou desdobramento que permite ao psicômetra penetrar num universo psíquico do qual ainda nada conhecemos, como o afirmara o próprio Dr. Denton, sob confirmação atual do igualmente dedicado pesquisador Dr. Hermínio Miranda. Abre-se, sem dúvida, um campo imenso para pesquisa psíquica e para a história, vez que, podemos perscrutar os acontecimentos exatamente como se deram e não como se pensa que se deram.

Aguardemos novos pronunciamentos das pesquisas para confirmar o que já se viu e ampliar os nossos conhecimentos.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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