Extinção da Santa Casa


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Depois de tantos problemas e de tantas ameaças de suspensão de parte dos serviços prestados pela Santa Casa, quatro promotores da cidade resolveram agir e abriram um inquérito civil para estudar a possibilidade de acabar com a Fundação Casa de Misericórdia de Franca, entidade responsável pela administração do complexo hospitalar formado pelo Hospital do Coração, Santa Casa e Hospital do Câncer. Na prática, se isso acontecer, a atual diretoria será destituída e o Estado será obrigado a assumir o controle dessas unidades, já que em Franca não existe nenhuma instituição com capacidade para assumir a gestão desses hospitais.

A idéia é fazer um estudo detalhado de toda a situação, apurar as reais condições financeiras da Fundação e verificar se o endividamento atual ainda é passível de recuperação. Segundo os procuradores responsáveis, se ficar provado que nas atuais circunstâncias a Fundação não tem como garantir o atendimento à saúde da população francana, sem as frequentes ameaças que vem pairando sobre a cidade, eles ingressarão com uma ação judicial para pedir que ela seja extinta.

A iniciativa pode até parecer exagerada, mas de qualquer modo não deixa de ser uma importante reação da sociedade. Representada pela Promotoria Pública, a cidade finalmente acordou para os problemas financeiros da entidade que parecem se eternizar sob as ameaças de suspensão de serviços de consultas e cirurgias, algo que viemos assistindo regularmente nos últimos dois ou três anos.

A despeito de responsáveis, alguma coisa precisava ser feita. Se a Fundação está mergulhada em dívidas e não consegue manter a qualidade ou até mesmo a presteza e a própria existência dos serviços públicos de saúde, então que se passe o comando dos hospitais francanos para a autoridade do Estado, o que parece, inclusive, muito salutar para a cidade, já que os hospitais estaduais, segundo estudos dos próprios promotores, chegam a receber até três vezes mais recursos do que a Santa Casa receberia hoje do SUS.

A questão agora é aguardar o resultado desse inquérito e desses estudos. Apesar do atual presidente da Fundação, Luis Aurélio Prior, dizer que o pior já passou e que a situação agora está sob controle, não é nada improvável pensar que logo ali na frente os problemas da Santa Casa ressurjam das cinzas novamente, feito uma fênix estranhamente voraz e agonizante, ameaçando a saúde da população francana com sua divida de mais de R$ 60 milhões e com seu déficit mensal de cerca de R$ 2,5 milhões.

Afinal, nenhuma instituição, seja ela pública ou privada, consegue em tão pouco tempo reverter uma situação ruim como essa, ainda mais se considerarmos que o repasse do SUS, principal sustento da Santa Casa, continua abaixo do ideal.

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