“Procuro padeiro com prática para início imediato. Paga-se bem.” O anúncio fictício da oferta de vaga reflete uma realidade do mercado de panificação em Franca. De 12 padarias pesquisadas ontem pela reportagem, metade confirmou ter dificuldade na contratação do profissional e escassez também de confeiteiros e balconistas.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Franca e região, Augustinho Valdemir Juliati, encontrar mão de obra qualificada tem sido a grande dificuldade do setor. Pesa também o fato de os candidatos à função “não terem comprometimento” com o trabalho. “Eles querem trabalhar pouco e ganhar bem.”
A gerente da loja de conveniência do City Posto, Solange Reis de Lima, explicou que contrata muitos jovens para começarem como auxiliares e serem treinados no ofício, mas tem um índice baixo de permanência desses rapazes no ramo. Segundo ela, a oferta de emprego na indústria calçadista é a principal concorrente.
Como o trabalho é maior nas padarias aos finais de semana, a auxiliar administrativo da padaria Trigale, Maria Cristina Alves, diz que muitos candidatos para a vaga reclamam de ter de trabalhar aos sábados e domingos. “Já ficamos seis meses procurando um profissional e não encontramos. Temos que treinar auxiliares.” O estabelecimento funciona em três turnos, sendo um da meia-noite às 7h30.
Segundo a gerente de Recursos Humanos da RHDP, Andreia Haddad, o trabalho de padeiro exige disciplina, técnica e disponibilidade de horário, itens “difíceis” de serem encontrados num só profissional. “A dificuldade é menor em relação a açougueiro, mas para padeiro também precisa ter responsabilidade e trabalhar aos sábados, domingos e feriados, e a maioria não quer.”
O proprietário da padaria Pão Delícia, Júlio Zanetti, diz ter mais problemas para encontrar balconista. A reclamação, segundo ele, é a exigência dos clientes. “As balconistas se estressam com os clientes mais exigentes e pedem para sair antes de um ano de empresa. Dizem que preferem trabalhar em fábrica, sem ter que lidar com atendimento ao público.”
O também empresário do ramo, Paulo Xavier, sócio-proprietário da Padaria Estrela, disse que, para não ficar refém da escassez de profissionais, realiza ao longo de todo o ano treinamentos para formação de padeiros e confeiteiros. “É um segmento em que a pessoa precisa ter gosto e disponibilidade para trabalhar aos fins de semana.” A Estrela produz sete mil pães dias e tem 128 funcionários, 60 deles na produção.
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