Amanheço selvagem, dura luta para domesticar-me antes das sete que é quando a sirene grita a realidade. O dia invade a ventana que brisa meu rosto dizendo: “Calma, acabamos de nascer.”
Esquento o café instantâneo que filosofa meu corpo em microondas docinhas enviando recados de eureka ao meu cérebro que nunca adormece. Na rádio as canções de sempre transmitem a segurança da rotina ( ter hora para acordar pode salvar uma vida).
Acendo o cigarro, com ímpetos ambivalentes de atirar ao lixo esse amorzinho enfumaçado e sadomasoquista, principiado no prazer animalesco de não saber-se ( por esquecimento) mortal.
Manhã passa e o alívio vem meiodineando com a missão cumprida de ter feito luz na hora certa . A promessa de que em pouco tempo tudo estará em aurora, calienta o coração. Mansa anoiteço e a dor agradável da lida acorda meus membros da importância do descanso .
Morrendo sinto que posso novamente dormir o silêncio cordial das boas almas enquadradas.
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