O susto da Tia Zazá


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Tia Zazá, mulher do tio Benedito de Araújo, irmão da minha avó materna, era pessoa de imensa bondade. No apartamento anexo à sua casa, construído para esse fim, passaram a vida duas de suas cunhadas: tia Fia, viúva e Didinha, a irmã mais velha dos cinco irmãos que ficaram órfãos quando a caçula - vovó Ritinha - nasceu. Ela era mãe de Therezinha e Cici - que estão com ela na foto - e de Marlene. Em Uberlândia vovó morava numa ponta da rua Machado de Assis, tia Zazá na outra: atravessávamos a cidade toda para as visitas diárias que ora fazíamos lá, ora recebíamos cá, no tempo em que as famílias se visitavam e quando minha mãe ia para Uberlândia rever os parentes. Sua casa vivia cheia. Era como a sede da família, o fogão era ligado cedinho, apagado tarde e continuava quente na manhã seguinte.

Tia Zazá estava com cinqüenta e cinco anos, quando sua barriga começou a aumentar. Procurou médico, fez exames. Nada errado. A barriga crescia - mioma? - o médico suspeitou, já que ela já estava fora do período fértil e dos sintomas chatos da menopausa: haviam passado as ondas de calor e ela estava livre de menstruação. Venha ao consultório, planejaremos a retirada desse mioma alojado no útero, o médico orientou. Tia Zazá foi. Marcou-se a cirurgia, a família inteira acompanhou. Todo mundo estava na antessala do centro cirúrgico já com o rosário na mão, quando de repente o médico abre a porta de supetão, branco e assustado contando: ‘O mioma mexeu!’ O ‘mioma’ nasceu poucos meses depois, foi batizado com o nome de Euclides e a história virou lenda e referência na família, desde que aconteceu, há mais de 50 anos.

(Lúcia H. M. Brigagão)

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