Frezadeira há 16 anos, Elizângela Ribeiro Carlos, 35, é funcionária da Qualiflex, uma das fábricas incendiadas ontem. Ela e mais três funcionários trabalhavam na produção quando tudo aconteceu. Eles fazem parte da equipe que atua no segundo turno da fábrica e cumprem jornada das 13 às 22 horas. Ela se desesperou com a impotência diante da destruição do fogo. Perdeu o salário e dinheiro que havia sacado para o marido e a sogra - cerca de R$ 2 mil - e também as lingeries que revendia. Não houve tempo de tirar a bolsa. “Era a bolsa ou a minha vida.”
Comércio da Franca - O que aconteceu na fábrica?
Elizângela Carlos - Eram cerca de nove horas e começou a pegar fogo na máquina, uma prensadeira, e de repente começou o incêndio. Minha amiga que trabalha do meu lado gritou: “Elizângela, estou me queimando”. Olhei para ela e não vi fogo, peguei o extintor e no que virei o fogo já tinha espalhado tudo pela parede, alastrando na fiação do telhado e nem adiantava mais eu acionar o extintor. Como são materiais inflamáveis, foi incendiando mesmo. Sorte que a porta estava aberta, porque geralmente eles fecham e nós quatro saímos correndo para a rua.
Comércio - Ela se feriu?
Elizângela - Era uma máquina de prensa de palmilhas e pegou fogo na lateral, acho que foi um curto-circuito. A funcionária que operava a máquina teve queimaduras no rosto, no pescoço e nos braços. Ela foi levada para o pronto-socorro pelos pais dela e está em observação. Ela está bem.
Comércio - Como foi vivenciar esse susto?
Elizângela - Nem sei explicar, foi horrível. É muito susto, você olhar pegando fogo e não poder fazer, querer ajudar e não poder. E é o nosso ganha-pão. A produção estava em alta, a gente estava trabalhando nesse horário para poder pôr a produção em dia e atender os clientes no final do ano. E eu não ia ao banco hoje (ontem), mas fui e saquei meu salário, do meu marido e um dinheiro para minha sogra. Queimou tudo porque minha bolsa, com documentos e lingeries que vendo, estava lá dentro. Perdi quase R$ 2 mil. Se voltasse, ia me queimar. Era a bolsa ou a minha vida. Olhei para trás, e não tive coragem de voltar para pegar minhas coisas.
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