Incêndio consome 4 fábricas e ameaça casas na Nicácio


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Bombeiros trabalham no rescaldo dentro do galpão. Estrutura do barracão está condenada
Bombeiros trabalham no rescaldo dentro do galpão. Estrutura do barracão está condenada

Um incêndio de grandes proporções consumiu ontem duas fábricas de palmilhas, uma de sapatos e outra de leite na Vila Nicácio, no galpão onde funcionava a antiga Calçados Soberano. A suspeita é de que o fogo começou por volta das 21 horas em uma máquina de prensar sapatos. Uma pessoa ficou ferida. 

Quem chegava ao quadrilátero formado pelas ruas Torquato Caleiro, José de Alencar, Evangelista de Lima e Diogo Feijó logo era orientado pela Polícia Militar a abrir espaço. Muitos curiosos e moradores de ruas próximas dificultavam a passagem dos quatro caminhões do Corpo de Bombeiros. “Nossa maior dificuldade está sendo isolar a área”, disse o soldado Wellington, da PM.

Cerca de 15 famílias moradoras na quadra onde ocorreu o incêndio tiveram de deixar suas casas. A analista de sistemas Nise Franceschini, 34, mora na rua José de Alencar e estava em casa quando escutou um estouro vindo da rua. Em seguida ouviu a sirene dos Bombeiros como se estivesse dentro da sala. Ao abrir a porta, se deparou com o caminhão estacionado em frente ao imóvel e as labaredas gigantes na fábrica. “Assustei muito quando abri a porta e veio um calor fortíssimo e logo vi o fogo. Desesperei e gritei para meu marido pegar minha filha de quatro anos e abandonamos nossa casa.”

Enquanto isso, em uma casa na rua Torquato Caleiro, geminada a uma das fábricas, o desespero era total. O motorista Antônio Carlos, 51, teve que, literalmente, arrastar um bombeiro para que ele pudesse ver a situação em que se encontrava a casa de seu filho, nos fundos da sua. “Faz tempo que meu filho está jogando água no telhado e nas paredes com uma mangueira de jardim para resfriar a casa e não deixar o fogo se alastrar”, disse.

Para evitar que o fogo se alastrasse, as famílias com casas próximas ao incêndio foram orientadas por militares a retirar botijões de gás e qualquer outro material inflamável. Com medo de possíveis prejuízos, muitos resolveram tirar toda a mobília, deixando-a em garagens de vizinhos ou amontoada na calçada.

A falta de água para combater as chamas foi outro obstáculo. Os bombeiros disseram que o hidrante mais próximo não estava funcionando e ficava dentro da área afetada. Sem ter como reabastecer os caminhões e diante do risco iminente de o fogo chegar ao reservatório de cola, nos fundos do galpão, o jeito foi recorrer à ajuda de terceiros.

Dois caminhões de combate a chamas da usina Batatais, que estavam em Restinga, foram chamados. Além deles, caminhões-pipa da Prefeitura e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) também estiveram no local.

Depois de controlado o incêndio, pouco sobrou dos materiais das empresas e da estrutura do antigo prédio. De acordo com um soldado do Corpo de Bombeiros, os danos comprometeram completamente o barracão. “Certamente o que sobrou será demolido.”

O incêndio, cujas labaredas atingiram de 15 a 20 metros de altura, foi controlado por volta das 23h30. Os bombeiros deixaram o local por volta da 1 hora da madrugada de hoje.

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