Você está familiarizado com a palavra inadimplente? Os meios de comunicação vêm alardeando que a inadimplência está aumentando no Brasil e colocando em risco um dos alicerces da economia, a concessão de crédito.
Entendamo-nos logo. O inadimplente é aquele que não cumpre um contrato; em termos mais restritos, é aquele que ainda não liquidou os encargos financeiros desse contrato; que não pagou a conta, a fatura do cartão de crédito ou o boleto da loja, enfim, o devedor em atraso.
A concessão de crédito – aqui definido como antecipação do poder de compra – vem crescendo no país. Comparando o volume de crédito concedido com o PIB – Produto Interno Bruto, observamos que esSa relação mais do que dobrou nos últimos 4 anos, passando de 24,7% em 2008, para 51,5% em setembro último. O aumento reflete a iniciativa do governo em estimular o crescimento econômico via crédito ao consumo, mas há quem considere equivocada esta política, pois, tem deixado de lado investimentos na infraestrutura e no incentivo às inovações. De acordo com o BC – Banco Central, o crédito para as pessoas físicas chegou, em setembro, a 30,4% do total; para a indústria, 19,9%.
Quem acompanha os atrasos nos pagamentos acima de 90 dias é o BC. Em setembro, de acordo com dados oficiais, o endividamento do brasileiro chegou a 5,9% pelo terceiro mês consecutivo. No caso das pessoas físicas, essa taxa alcançou 7,9% e os maiores calotes estavam concentrados no crédito automotivo. A indústria melhorou ligeiramente seu desempenho quando o índice correspondente recuou um pouco, chegando a 4%.
A taxa SELIC (a origem do nome está no chamado Sistema Especial de Liquidação e Custódia, criado em 1979) é considerada a taxa básica de juros da economia e repercute em todos os negócios que envolvem créditos, aplicações financeiras e investimentos. De acordo com as resoluções do COPOM – Comitê de Política Monetária, ela vem baixando sensivelmente, estando atualmente (novembro de 2012) em 7,25% a.a., contra 13,75% em meados de 2008.
Esse panorama tem reflexo imediato nas taxas de juros cobradas pelos bancos. No entanto, não é porque a taxa básica da economia está no seu patamar mais baixo que os Bancos vão se descuidar. Crédito para pessoas físicas, em setembro, estava ‘custando’, em média, 35,8% a.a. No cheque especial e no cartão de crédito a conta é mais salgada: os juros cobrados são estratosféricos.
Para evitar o descontrole é preciso dominar o assunto para não ser ‘engolido’ por taxas aparentemente favoráveis. As razões da inadimplência, de acordo com pesquisas, apresentam um padrão definido, estruturado: em primeiro lugar, o descontrole financeiro, depois, o desemprego e, em seguida, a autorização para uso das credenciais pessoais por terceiros, o popular ‘dar o nome’. Problemas de saúde e na família completam o quadro.
Agora que já nos entendemos quanto à inadimplência e suas prováveis razões, permanece a advertência: controle (bem) sua vida financeira para tê-la equilibrada, aja com responsabilidade nos gastos e com cautela na gestão de suas contas. Evite, a qualquer custo, ser considerado inadimplente. Não queira ficar com o ‘nome sujo’ nos serviços de proteção ao crédito. O retorno à plenitude da cidadania, ou seja, ‘limpar o nome’ é uma tarefa insana. Penoso e demorado.
Vicente de Paula Oliveira
Economista
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