A idosa, ainda muito abalada, contou detalhes à reportagem do abuso que sofreu. Confira:
Comércio - O senhora foi ao mercado?
Aposentada - Fui lá comprar uma batatinha, maionese para o meu neto. Cheguei lá, estavam uns homens e estava esse cara. Ele encarou em mim e eu, muito inocente, olhei nele. Ele disse: ‘Eu conheço a senhora.’ Eu conheci ele, mas quis dar uma que não conheci, porque estava com pressa. Eu falei: ‘É o Salvador, né?’ Ele falou que sim. Eu perguntei onde ele morava e ele disse que morava ali pertinho, na mesma calçada. Ele disse: ‘Vamos lá em casa para conhecer minha mulher?’ Eu falei que estava com panela no fogo, disse que estava com pressa e que iria outra hora com mais tempo. Ele: ‘Não, vamos agora.’ Me obrigou, eu fui na marra.
Comércio - Como foi na casa dele?
Aposentada - Ele abriu o portão, me pôs pra dentro e trancou. Eu perguntei: ‘Cadê sua mulher?’ Ele: ‘Não tem mulher, não.’ Aí ele sentou me oferecendo pinga. Eu falei que não bebo pinga e que acabei de beber remédios. Ele foi pegando, me agarrando. Um pulo que ele deu para cima já arrancou toda a roupa. Aquele negócio duro ele rumou na minha cara, pôs na minha boca, espirrou tudo na minha boca. Pintou comigo, pôs aquilo fedido na minha boca. Me machucou tudo por baixo (sic), na frente, atrás. No que eu cheguei em casa fui ver toda ensanguentada minha calça.
Comércio - A senhora é pequena, não teve como reagir. Como ele é?
Aposentada - Ele é miúdo, mas tem força. Eu não tenho força, meu filho.
Comércio - Como ele deixou a senhora ir embora?
Aposentada - Eu falei: ‘Vou arriscar a morte.’ Eu reagi. Não bati não. Eu fui pegando minha roupa, puxando para vestir. Vesti até do avesso. Fui descalça. Ele abriu as portas para mim e eu sai trocando as pernas.
Comércio - O que senhora deseja para esse homem?
Aposentada - Cadeia e borracha. Para ele não fazer com criança igual o que ele fez comigo. Foi Deus que me ajudou.
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