Um dos grandes conhecedores da história de Franca, o historiador José Chiachiri Filho recebeu em sua residência, semana passada, sete alunos da escola Etelgina Viveiros. Eles queriam informações sobre Franca, que vai completar 188 anos no próximo dia 28.
Chiachiri explicou que ainda no século XVIII a região, habitada por índios caiapós, começou a ser trilhada por bandeirantes e aventureiros em busca do ouro descoberto em uma mina em Goiás pelo bandeirante Anhanguera II. Ele era filho do famoso Anhanguera, que ajudou a desbravar o Interior do nosso País. Anos depois, com o esgotamento da mina, os tropeiros passaram a utilizar os caminhos abertos na região como importante passagem também em direção a Minas Gerais e Goiás. Foi então que apareceram os primeiros negociantes. Eles se fixaram em agrupamentos que formaram bairros hoje conhecidos por Boa Vista e Miramontes (na época Covas). A partir desta época, com a movimentação dos negociantes, começou a se formar o centro da cidade. Acompanhe a entrevista.
Yara Lisboa Rodrigues perguntou:
- O que os moradores construíram primeiro no centro?
Chiachiri - Uma igreja e um cemitério, pois os mortos eram enterrados no chão da igreja. Naquela época nossa cidade se chamava Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca. Ao redor da igreja os primeiros moradores iam construindo suas casas.
Ryan Henrique Pereira Costa:
- Nesta época existiam carros?
Chiachiri - Carros, não. Existia um bondinho para transportar mercadorias. Ele saía do início da rua General Osório, bem lá embaixo, junto ao Córrego dos Bagres, e subia, puxado por burros, até a praça, onde deixava as mercadorias e os animais eram desamarrados para descansar. Depois o bondinho descia ladeira abaixo para começar o processo novamente.
Professora Maristela Vieira:
- O bondinho só transportava mercadorias ou servia para passeio também?
Chiachiri- Era só para mercadorias. O transporte para as pessoas era charrete ou trole.
Matheus Pedroso Ferreira:
- Mas o que é trole?
Chiachiri- É uma charrete de luxo, uma carruagem.
Yenimi Ester Ghiotti :
- E as ruas da cidade, tinham lojas?
Chiachiri- Sim, as primeiras lojas de Franca eram armazéns, locais onde se encontrava de tudo. O primeiro foi o da Rua do Comércio, propriedade de Antônio Dias Campos. E as vias já tinham nomes: Rua da Alegria, Rua das Flores, Rua da Princesa... A Rua das Flores, depois, passou a se chamar Major Claudiano e a da Princesa hoje é Voluntários da Franca
Maria Eduarda Eulina de Silva e Souza:
_ Já que é historiador, qual a história que mais gostou de escrever?
Chiachiri- Eu gostei do meu livro Do Sertão do Rio Pardo à Vila Franca do Imperador.
Para finalizar a entrevista, Chiachiri disse às crianças: "A história de Franca é de vocês".
O aluno Matheus, para retribuir o carinho, respondeu:
"Quando eu for escritor, vou escrever uma história para você."
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