A questão é realmente polêmica. Não por acaso, a campanha do candidato do atual prefeito fez de tudo para esconder o tema durante a última campanha eleitoral. Acabou conseguindo, respondendo de maneira esquiva quando indagado sobre a necessidade ou até mesmo a validade de se investir cerca de R$ 9 milhões para terminar o antigo esqueleto na entrada da cidade e transformá-lo na Secretaria Municipal de Educação.
Com tantos problemas nas áreas da educação, saúde e habitação, por exemplo, é natural que muitas pessoas discordem de um investimento como esse, que apesar de melhorar nosso ‘cartão de visita’, tornando esteticamente mais agradável a entrada de nossa cidade, talvez não fosse a prioridade de nosso município no momento atual.
Para outros, no entanto, recuperar uma obra que enfeia a cidade há vários anos seria como recuperar um pouco da autoestima da população, uma vez que a estética atua diretamente sobre os sentidos, deixando-nos mais ou menos tensos e estressados ou satisfeitos e mais confiantes, conforme a beleza e a harmonia apresentadas por nossos espaços públicos e privados, algo que não percebemos conscientemente, mas que age no inconsciente de nossa percepção.
Nesse embate de opiniões, é difícil saber quem está com a razão. Por um lado, uma cidade arquitetonicamente bonita e bem planejada faz bem para os olhos e valoriza sua própria urbanidade, atraindo mais negócios e gerando empregos e impostos que vão aos poucos criando um círculo virtuoso de crescimento. Por outro lado, no entanto, esses problemas básicos sofridos pela população são impactantes no que diz respeito à qualidade de vida propiciada pelo município, algo que também contribui para a atração de novos capitais.
De forma geral, ainda não é oferecido a todos os cidadãos francanos uma saúde e uma educação de qualidade, a despeito de sua garantia constitucional. No que diz respeito à educação, especificamente, foco e destino do antigo esqueleto, não foi possível até hoje nem mesmo garantir a creche para todas as crianças de zero a seis anos, conforme determina a Constituição, um descuido que já obrigou a Prefeitura a contratar vagas em creches particulares de nossa cidade.
No que diz respeito às escolas municipais, podemos considerar também que elas ainda deixam a desejar em muitos aspectos, sem contar que não são nenhum exemplo em termos de beleza e funcionalidade, características que poderiam contribuir bastante para melhorar o aproveitamento dos alunos e o rendimento dos professores.
Nesse sentido, talvez fosse mais importante que a Prefeitura se esforçasse para dar um destino privado a esse esqueleto do que investir a soma de R$ 9 milhões em algo que servirá apenas para acomodar melhor a burocracia do sistema.
As salas de aula agradeceriam.
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