Professor de geografia constrói túmulo de R$ 30 mil ainda em vida


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Professor José Santana Lima, 79, ao lado de sua sepultura: ‘Vou estar muito feliz aí dentro’
Professor José Santana Lima, 79, ao lado de sua sepultura: ‘Vou estar muito feliz aí dentro’

O que você faria com R$ 30 mil? O professor de geografia e poeta José Santana Lima, 79, morador na Vila Nicácio, escolheu investir o dinheiro em seu próprio túmulo, ainda em vida, no cemitério da Saudade. A obra foi inaugurada no último Dia de Finados. O mausoléu é “confortável e luxuoso”. Tem mais de três metros de altura, duas gavetas para sepultamento, um ossuário e é revestido com um resistente mármore absoluto, todo preto e espelhado. O chão foi pintado de verde e amarelo. No topo, foram instalados três vasos com flores artificiais, uma cruz com uma imagem de Cristo em bronze e uma bandeira, criada por Lima, que representa o meio ambiente e foi regulamentada pela Câmara de Vereadores de Franca em 1998.

Segundo o professor, o projeto arquitetônico, desenhado por ele, é idêntico ao do túmulo construído em uma cidade baiana para o pai, há um ano. “Eu fiz o mesmo para minha família em Santa Bárbara (BA), terra onde eu nasci. Como eu sempre digo, sou francano nascido na Bahia.” Lima tinha o terreno número 25 da quadra oito do cemitério desde a década de 1960. Lá foram enterrados sua filha, que morreu pouco tempo depois de nascer, e seus sogros. Em abril deste ano, a obra foi iniciada. O professor gastou cerca de R$ 15 mil na estrutura de concreto. Seus cinco filhos, que no início acharam o projeto uma “loucura”, se acostumaram com a ideia e bancaram o resto. “Até onde eu pude chegar, eu cheguei. Depois eles tomaram conta. Pediram para deixar que eles fizessem uma coisa muito bonita, deu nisso.”

Na parte frontal do túmulo, há uma placa com as inscrições: “Escritor, poeta amigo do meio ambiente, aqui dormirás eternamente. Silêncio por favor”. “Eu coloquei como sendo o construtor do mausoléu. O idealista. Depois outras placas, se alguém quiser colocar, podem colocar as datas. Alguém vai ver isso aí depois”, disse o professor. “Pedi o silêncio. Vou dormir sossegado aqui”, completou em tom de brincadeira.

Lima pretende doar o mausoléu para a Prefeitura daqui algumas décadas e diz ter feito a obra para durar “400 anos”. Questionado sobre a chegada da morte, diz não ter nada de especial programado para seu sepultamento e velório. “Se eu pudesse recomendar a alguém na hora do enterro, eu diria que batam palmas. Chorem também, mas cantem. Eu peço alegria. Eu admito que chorem, mas um choro por quem cumpriu o seu dever.”

E se a morte chegar amanhã, ele tem a resposta. “Não vejo a hora de chegar. Se você quer saber, na hora que eu morrer, vou estar muito feliz aí dentro”, finalizou.

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