Efetivo da Polícia Científica diminui e criminalidade cresce em Franca


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Perita criminal trabalha na coleta de provas de acidente de moto em junho que provocou uma morte
Perita criminal trabalha na coleta de provas de acidente de moto em junho que provocou uma morte

O número de peritos e profissionais do Instituto de Criminalística (IC) de Franca, que atende a mais nove cidades, diminuiu 20% desde o início de 2011. Já a criminalidade só subiu. Os assassinatos em Franca, por exemplo, registraram um aumento de 150%: passaram de 6 para 15 no período de janeiro a outubro. Os furtos e assaltos também subiram cerca de 23%.

Quando um crime acontece em Franca, Pedregulho, Cristais Paulista, Ribeirão Corrente, Patrocínio Paulista, Itirapuã, Batatais, São José da Bela Vista e Restinga e Rifaina os profissionais do IC são chamados ao local para coletar provas. Após analisar, cuidadosamente, cada elemento deixado na cena do crime esses profissionais formulam um relatório que é enviado para a Justiça. Através desses dados, o Judiciário irá decidir se uma pessoa é culpada ou inocente de uma acusação.

Segundo funcionários, um perito, um fotógrafo, e dois desenhistas técnicos periciais se desligou de suas funções desde o ano passado e não foram substituídos. “Atendemos cerca de 800 chamados por mês, com uma equipe de 18 funcionários. Somos em 11 peritos e nos dividimos em grupos para poder atender todos os pedidos”, explicou Valmir Henrique Garcia, 52, que há 25 anos trabalha como perito criminal.

Ele explica que o trabalho é dividido entre duas equipes. A primeira é composta por quatro peritos que ficam das 8 às 18 horas na sede da corporação - na avenida Orlando Dompieri, ao lado do IML (Instituto Médico Legal). A segunda é formada por seis criminalistas que se revezam em turnos de 24 horas cada um para cobrir ocorrências registradas em um raio de até 88 km de distância (caso de Rifaina, por exemplo).

Em média, cada perito atende 20 ocorrências por dia e esse número está crescendo.

“Sempre tem algum que está de férias ou afastado. Com o aumento registrado nos últimos anos das perícias em entorpecentes, câmeras de vigilância, celulares e computadores vai chegar um momento em que a situação ficará insustentável”, acrescentou Garcia (leia mais nesta página).

Para realizar o trabalho da melhor maneira possível, os policiais seguem uma norma fundamental: cadáver e acidente em rodovia são prioridade. O primeiro porque envolve uma série de questões relativas à liberação do corpo e que podem causar transtornos para as Polícias Civil e Militar que estão no local. No caso de acidentes em rodovia, a liberação da pista é outro fator que deve ser encarado como prioridade. “O pessoal deixa tudo o que está fazendo e corre para atender esses chamados. Depois, o perito volta a fazer os furtos, roubos e etc. As vezes fica coisa para o dia seguinte, não tem jeito”, disse Garcia.

Outro problema diz respeito à idade dos peritos. Como a equipe é formada em sua grande maioria por profissionais com longa experiência na função é normal que muitos estejam prestes a se aposentar. Nos próximos dois ou três anos, a tendência é que o IC perca de quatro a cinco funcionários por causa do tempo de serviço.

“Somos uma equipe antiga. Temos colegas com 60 anos de idade e eles sobem nessas viaturas e percorrem toda essa região. É um trabalho cansativo”, comentou Fernando Celso Guimarães Júnior, 47, que é um dos mais novos.

CONCURSO
A esperança para o fim da defasagem no quadro de funcionários é o concurso público que foi aberto para a contratação de 56 peritos criminais para o Estado. O salário inicial é de R$ 6.709,32, mas não há indicação das cidades que vão receber os novos profissionais. “Vamos ver quantos (candidatos) de Franca passam neste concurso. Com mais uns cinco peritos poderíamos prestar um serviço melhor e mais rápido para a população, com certeza”, disse Guimarães Junior.

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