O forte temporal que atingiu Franca na noite de quinta-feira deixou estragos pela cidade. Foram registradas quedas de muros, árvores, inundação e destelhamento de imóveis. Rajadas de vento de 42 km/h arrancaram a estrutura de proteção de um lava-jato e banners de pontos comerciais. O volume de chuva registrado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) no intervalo de uma hora - 19 milímetros - foi considerado expressivo e deixou prejuízos. A força da chuva foi tanta que nem janelas e portas fechadas impediram que a água entrasse nas casas.
No feriado o céu ficou cinza e a cidade escureceu. As nuvens pesadas e ventania anunciavam a chegada da tempestade. Naquela noite, a pespontadeira Roseli Cristina Silva Polo estava em sua casa, no Jardim Tropical, quando recebeu o telefonema do irmão Rodrigo. Ele pedia socorro porque a residência onde mora com os pais Ulisses, de 81 anos, e Olga, de 74, estava inundada. Preocupada, Roseli seguiu de carro para a casa dos pais. Ao virar na rua deles, encontrou a via alagada. Sem muito tempo para pensar, avançou com o veículo e dentro da residência se deparou com os pais na sala, com água até os joelhos e os móveis todos suspensos. Ela se emocionou ontem ao relembrar essa cena. “Tinha quase meio metro de água na casa. As cenas que a gente costuma ver na televisão em São Paulo ou Rio de Janeiro e que nunca imaginava que vão acontecer eu vi aqui, com meus pais. Fiquei assustada.”
A família passou a noite - em claro - na casa da filha e ontem se dedicou à faxina de todos os cômodos - dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e a banca de pesponto nos fundos. Roseli perdeu o dia de trabalho na banca de pesponto de sua propriedade para dar assistência aos pais. Os moradores se queixam que a rede de galerias do bairro é ineficiente e não suporta o volume de água. É a terceira vez que a casa inundou. Eles alegam já ter acionado a Prefeitura, mas o problema persiste.
No mesmo endereço deles, na rua Jerônimo Teodoro de Souza, mais duas casas e uma fábrica de calçados ficaram alagadas com o temporal. Nesta sexta-feira pela manhã, a empresa ainda estava com poças d’água no chão e rolos de couro, caixas e amostras de sapatos molhados. “Não calculei o prejuízo ainda, mas é o terceiro ano que inunda a fábrica. Já pedi para a Prefeitura refazer as galerias aqui. Sorte que os funcionários estavam aqui trabalhando no feriado, porque os danos seriam bem maiores se não salvassem as coisas”, disse o proprietário João Ponce.
No Jardim Guanabara, a chuva deixou mais estragos. Dois muros de um novo condomínio que está sendo construído pela MRV despencaram. O mestre de obras Luís Antônio Ganzaroli disse que as quedas ocorreram na noite de quinta-feira devido ao acúmulo de água nas paredes. “A água ficou presa no muro, que acabou caindo e a enxurrada desceu com força pelo condomínio e arrebentou o outro muro. Derrubou 17 metros lineares de um deles e dez do outro.” Os apartamentos ainda não estão ocupados por moradores. A reconstrução dos muros deve mobilizar mais de 15 funcionários e durar duas semanas.
Outro imóvel que sofreu danos fica na rua Professora Anália Alves Teixeira, no Jardim Tropical. Parte do telhado da casa caiu sobre telhas eternit na garagem que atingiram um carro e um fogão guardados no local.
O vento e a chuva derrubaram a cobertura do lava-jato de um posto de combustíveis da avenida Brasil. Três dos seis pilares e a lona que revestia a estrutura entortaram e foram parar no chão. Banners de uma loja na rua Carlos de Vilhena e de uma farmácia na rua Afonso Pena também foram arrancados. Em nenhuma das ocorrências houve feridos.
ÁRVORES
Na Rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista, a queda de uma árvore causou interdição da pista por 20 minutos até que fosse removida. Na calçada da rua Jonas Alcântara Vilhena, uma árvore também se partiu.
O secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, disse que não houve danos de grande monta e ontem foi preciso efetuar a limpeza em alguns pontos da cidade. Os Bombeiros não registraram ocorrências por causa da chuva.
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