Tu estás ausente...
Mas só na aparência.
Na verdade, estás mais aqui
do que os que ora me circundam.
Eles estão à minha volta, apenas.
Tu permaneces dentro de mim.
Toma, pois, a minha poesia,
nesta hora em que devagar se recolhem
e em que as estrelas todas despertam
para me ouvir cantar o amor.
Acolhe estes versos,
úmidos do sereno de noites tantas
em que, sem saberes, caminhaste
comigo
por estas estradas cansadas.
Abraça-os, que eles são eu
demolindo aos gritos o muro
que ora separa nossos corpos.
Sim, a poesia sou eu, meu bem,
edificando com zelo um altar
ao amor
que para sempre selou nossas almas.
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