Crack, quebrou


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Crack quebrou, o dia raiou, o dedo amarelou, o dente estragou, a língua feriu, o olho se abriu, a vida passou.

Crack quebrou Pedro de Pedra, quebrou a memória, quebrou a história quebrou os amigos, quebrou a família, quebrou o espelho.

Crack quebrou, já não pode ouvir sirene que se caga todo. Crack quebrou barulho de cachoeira, cantoria de passarinho, crack quebrou todos os sentidos.

Crack quebrou o pulmão , crack quebrou a vontade de respirar, crack queimou seu filme.

Crack quebrou o galã , agora fuma no esgoto onde ninguém vê, onde se sente bem, onde se sente em casa. Crack quebrou autoestima, quebrou seu pente, sua mente, sua semente.

Crack quebrou sua cara, quebrou seus livros, quebrou seus heróis. Crack quebrou seu vinil da Janis Joplin... Crack matou seu Che revolucionário.

Crack rasgou seus diplomas, sufocou sua inteligência. Quebrou suas idéias, sua civilidade, suas boas maneiras. Agora vive sujo, pé no chão, barriga, mente e olhar vazios e os pulmões cheios de fumaça preta e dor.

Crack quebrou sua ginga, quebrou a poesia.

Crack quebrou sua alma, crack quebrou seu brilho seu sonho, Crack Quebrou... quebrou, quebrou, quebrou seu Deus.

Pedro, por Amor, volte e cole tudo isso?

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