Educação financeira


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A chamada Educação Financeira (EF) é um conjunto de conceitos e práticas que as pessoas devem dominar para adquirir habilidades e confiança e, com elas,aproveitar as oportunidades e enfrentar os riscos que a vida coloca diante de cada um.

Na EF sobressai o planejamento financeiro, ação de instituir objetivos e metas para o trato com o dinheiro no contexto da unidade familiar, que irá materializar-se no orçamento doméstico.

Neste se estabelece quanto a família vai gastar nas diferentes coisas que necessita para seguir vivendo (aluguel ou prestação da casa própria, água, luz, telefone, transporte, alimentação, educação, plano de saúde etc) e quanto, da renda familiar, se prevê poupar e investir para emergências e realização de projetos futuros (viagem de férias, cursos de formação ou especialização, aquisição de imóvel ou até planos de aposentadoria complementar etc.).

A indagação feita no título não comporta resposta única. O agente econômico, no caso, o cidadão pai de família, precisa e deve fazer as três coisas: comprar, poupar e investir.

A satisfação das necessidades de cada um de nós se faz mediante o consumo de mercadorias e serviços. Elas, ensinam os economistas, são ilimitadas em número, pois, a cada dia e em função da renda, sentimos diferentes desejos.

Da mesma forma, se os preços relativos dos bens se alteram, as preferências dos consumidores se modificam. Enfim, comprar é preciso! Deve-se ter em conta, no entanto, o chamado consumo consciente ou responsável.

Nada de consumo por impulso. Nada de transformar-se em presa fácil dos apelos mercadológicos criadores de necessidades artificiais. Consumir sempre dentro dos limites da renda familiar. Sem exageros nas compras e no uso do crédito fácil de hoje em dia. E mais cuidado ainda com as taxas de juros.

E poupar? A existência ou a geração de poupanças - aquela desejada diferença positiva entre as ‘entradas’ e as ‘saídas’ de dinheiro da unidade familiar - é função do montante de renda e dos gastos de cada lar.

É desejável que haja, sempre, um saldo positivo naquela equação, mas pode ocorrer um acidente qualquer (desemprego, problemas de saúde, descontrole financeiro e outros) e daí surgirão contratempos que afetarão a poupança. O rigor na gestão do orçamento familiar é fundamental para o sucesso daquilo que foi programado e fator de existência da poupança.

Resta-nos a análise da terceira indagação. Investir significa aplicar a poupança amealhada, fonte dos recursos para a concretização dos sonhos acalentados no horizonte do tempo e expressos no planejamento financeiro. De novo sublinhamos: é preciso familiarização com as taxas de juros e com as tarifas que os Bancos cobram pelos seus serviços, pois, agora é a hora de saber quanto vamos receber pelas aplicações das nossas poupanças.Aqui, exige-se perspicácia e ousadia para ganhar,e (muito)cuidado com o risco.

Como se vê,comprar, poupar e investir não representam alternativas excludentes. Elas obedecem a uma sequência natural, lógica.

Com a renda de que dispomos, devemos consumir (comprar) para a satisfação das nossas necessidades; poupar para dispormos de uma reserva para contingências e concretizar sonhos,e investir para que os recursos poupados se multipliquem e não desapareçam corroídos pela elevação dos preços.

Vicente de Paula Oliveira
Economista

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