Erros relacionados à assistência de enfermagem têm se tornado tema frequente. Ocorrem, na maioria, em hospitais. Quando se trata de erro relacionado à administração de fármacos, são considerados eventos adversos que podem ser prevenidos.
Problemas relacionados com a segurança do paciente e erros de medicação são considerados problema mundial de saúde pública. Devido a esse cenário, a Organização Mundial de Saúde lançou em 2004 a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, programa permanente que chama a atenção e convoca os países membros a tomarem medidas para assegurar a qualidade da assistência prestada nas unidades de saúde de todo o mundo.
Os erros são multifatoriais. Dentre eles citam-se a inadequação do ambiente físico, cansaço e estresse dos profissionais, falta de atenção, sobrecarga de trabalho, falta de preparo e treinamento da equipe sobre medicações e cálculos de dosagens, não cumprimento de normas estabelecidas, prescrições ilegíveis ou incompletas, entre outros.
A existência de qualquer um desses fatores, ou a associação de todos, de forma alguma justifica o erro profissional e o dano ao ser humano. Garantir a segurança do paciente é responsabilidade de todos os membros da equipe de enfermagem e demais profissionais que atuam na área.
As causas para os erros, devido sua variabilidade e gravidade, são complexas, sendo relevante uma profunda reflexão, que perpassa por políticas públicas e institucionais até a formação e aprimoramento dos profissionais. Em instituições de saúde programas de educação continuada e permanente devem ser implementados para que os profissionais estejam preparados para identificar fatores predisponentes e prevenção. E deve haver avaliação para monitoramento da eficácia dos resultados obtidos. A mudança de comportamento e nos processos de trabalho referente à segurança do paciente, bem como o monitoramento, são imprescindíveis para o adequado gerenciamento de riscos e redução da exposição do paciente ao erro.
Futuros profissionais devem ser adequadamente preparados. As instituições de ensino devem ter condições de funcionamento, número adequado de alunos por sala de aula, laboratórios estruturados para o desenvolvimento de habilidades específicas, bibliotecas atualizadas e exemplares de livros suficientes para atender as necessidades de aprendizagem. Além disso, faz-se necessário corpo docente qualificado e preparado para compartilhar conhecimento científico e experiências próximas da realidade. Ainda, adequados campos de estágios para o desenvolvimento das habilidades de forma não simulada, que ofereçam experiências enriquecedoras, favoreçam o aprendizado, que tenham condições para receber o estagiário, mas acima tudo que garantam adequado acompanhamento e supervisão de professores durante todo período de permanência do aluno.
Também é premente que as instituições de ensino técnico superior reflitam sobre os caminhos da educação na enfermagem, parte da assistência prestada à população. É necessário revisão das propostas pedagógicas em busca da melhor formação. A premissa é comprometimento ético-profissional com o processo de cuidar.
Lucimara Duarte Chaves
Coordenadora de graduação em Enfermagem da Faculdade Santa Marcelina.
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