Indiscutivelmente, São Paulo parece estar em guerra e essa não é a primeira vez que os bandidos desafiam a polícia. Por estarem à margem da lei, parecem, inclusive, menos burocráticos e mais organizados e eficazes que nossas forças de segurança, pois mesmo trancafiados nas prisões, seus líderes continuam coordenando o tráfego de drogas e todo o crime organizado em nosso Estado, mandando matar e punir com a maior tranquilidade.
Em decorrência dessa situação, se compararmos os índices de violência que hoje experimentamos no Brasil, vamos perceber que os conflitos nas maiores cidades brasileiras estão matando mais que algumas guerras no Oriente Médio ou na África. E isso, além de absurdo e inusitado, é também péssimo, pois causa uma total insegurança em toda a população, que de vez em quando acaba encontrando alguma bala perdida e é obrigada a conviver com ônibus queimados e toda a sorte de perigos que invadem o seu cotidiano.
Mas, reconhecendo a gravidade do caso, finalmente o governo paulista entregou os pontos e pediu auxílio a Brasília. Depois de algumas reuniões, ficou decidido que a ajuda federal viria no médio prazo, excetuando-se a transferência de alguns presos perigosos para presídios federais mais seguros e distantes.
Decidiu-se, também, que não haverá envio de tropas federais para ocuparem as favelas paulistas, como já aconteceu no Rio de Janeiro. Apesar do recrudescimento da violência, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as polícias paulistas têm efetivo suficiente para conter o avanço desses grupos criminosos.
O problema é que a questão da inteligência novamente ficou para trás. A idéia de unificar o trabalho de todas as nossas polícias ficou mais uma vez adiado. Se acontecer, será no médio prazo, o que não é um absurdo apenas para a bandidagem que deve se divertir com esse jogo de empurra-empurra político entre PT e PSDB.
E é justamente aí que está o problema. Já está mais do que na hora de investirmos pesado em sistemas de inteligência, adquirindo tecnologia de ponta e investindo no treinamento de nossos agentes. Se a nossa Receita Federal consegue ser uma das melhores e mais equipadas cobradoras de impostos de todo o mundo civilizado, com recursos humanos e tecnologia de primeira grandeza, capazes de encontrar um simples sonegador apenas pelo ‘cheiro’ de seu CPF, por que nossas polícias não conseguem fazer o mesmo, mostrando que é possível fazer voltar como segurança e proteção para a comunidade um pouco desses excessivos impostos que lhe são cobrados sem o mínimo pudor?
Se o Estado, de forma geral, é extremamente competente e eficaz na hora de cobrar seus impostos, deveria ser bom também na hora de garantir a segurança de seus cidadãos, a despeito de quem governa em São Paulo ou em Brasília.
Afinal, se a Receita pode, a Polícia também.
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