Bolsa família


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Ainda na década de 1990, o saudoso sociólogo Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, liderou uma campanha ‘pela cidadania, contra a fome, contra a miséria e pela vida’. Cansado de esperar pelas reformas e mudanças que segundo ele dizia no Brasil ‘não correm, apenas andam ou ocorrem’, Betinho conseguiu mobilizar boa parte da população brasileira.

A partir dessa movimentação, a idéia ganhou espaço nos meios políticos. No âmbito do processo de modernização do Estado brasileiro empreendido pelo governo Fernando Henrique, ela foi um importante balizamento para a criação de um novo modelo de política social, baseado na distribuição de uma renda mínima para famílias que estivessem em patamares socialmente inaceitáveis de pobreza.

Em um primeiro momento, essa redistribuição assumiu várias linhas e nomes, mas durante o governo Lula esses programas foram unificados. Criou-se o programa Fome Zero, e dentro de seu âmbito, o Bolsa Família.

Porém, a criação desses programas e sua posterior unificação não se deram sem críticas e muitas argumentações em contrário. Mesmo considerando que o recebimento desse benefício sempre esteve atrelado à obrigação da frequência escolar, o que automaticamente permite supor um futuro melhor para as próximas gerações dessas famílias, muitos o consideraram (e ainda o consideram) ‘viciante’, uma vez que acabaria levando seus beneficiários à acomodação. Para esses críticos, as pessoas tenderiam ao jeitinho brasileiro, alongando o recebimento desses benefícios o máximo possível e descuidando das tarefas necessárias para abandoná-lo.

E de fato, sua implantação e seu desenvolvimento têm sido lentos. Passados quase 20 anos, parece que muitas famílias ainda se apegam mais ao peixe do que à vara, a despeito da escolaridade média do brasileiro ter aumentado.

Em função dessa aparência, a notícia publicada por este Comércio na quinta-feira, 08/11, parece trazer novo alento a essa polêmica questão. De acordo com ela, nos últimos dois anos várias famílias conseguiram abrir mão do benefício e começaram a caminhar com as próprias pernas. Em 2010, Franca tinha 9.420 famílias inscritas no programa Bolsa Família. Em 2011, esse número caiu para 8660 famílias e agora, em 2012, para 7.611.

Essa queda é um ótimo sinal. Por um lado mostra que a economia francana está crescendo de forma consistente, abrindo vagas no mercado de trabalho e trazendo essas pessoas para a formalidade e para uma vida mais digna. Por outro, esse dados mostram também que as pessoas estão se conscientizando de que o benefício deve ser encarado como passageiro, uma espécie de apoio até que elas possam pagar por seu próprio sustento e abrir a vaga para outros ainda mais pobres, que precisam trilhar esse mesmo caminho.

E tomara que isso continue assim. Programa de distribuição de renda deve ter sempre um caráter provisório. Exagerar na assistência, ou vicia o cidadão ou o mata de vergonha.

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