Noite do Escritor Francano reúne mais de 300 pessoas no Senai


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A brisa soprava fresca no alto do Jardim Petráglia na noite do último sábado mas, no auditório do Senai onde se comemorava a Noite do Escritor Francano, o calor humano era intenso. Junto a Ribeirão Gráfica e Editora, sete autores se reuniram para divulgar a literatura local mesclando poesia, fotografias, música, dança e lançamento de livros em um só ambiente. No saguão do Senai, o clima aconchegante propiciava a circulação de pessoas em torno da exposição fotográfica Cotidiano, assinada por Gustavo Andrade. As 32 imagens enquadradas em passepartout caíam do teto em fios de náilon e ficavam ao alcance dos olhos. Um pinto saia do ovo; flores debruçavam-se em copas. Era o dia a dia capturado por lentes observadoras. A poucos passos dali, dentro do anfiteatro, a temperatura aumentava. Mais de 300 pessoas se acomodavam como podiam - sentadas e até mesmo de pé - para absorver Castro Alves e Gonçalves Dias, declamados pelo escritor Luiz Cruz e pelo professor Marco Antônio da Silveira. Também ali, caracterizados com assessórios indígenas, 25 jovens do Liceu de Ensino apresentavam a peça lítero-musical Uma gota de romantismo, onde interpretaram o primeiro capítulo de Iracema (José de Alencar), entoaram a Canção do Exílio (Gonçalves Dias), no ritmo de Asa Branca (Luiz Gonzaga) . “Foi muito bom participar deste evento. A gente lembrou da cultura indígena e foi muito legal pra nós termos conhecido um pouco mais disso tudo e ainda ter exposto nosso trabalho para os outros. Ensaiamos bastante... Cerca de 3 meses direto, todos os dias”, revelou o estudante Yuri de Carvalho Lima, que atuou na peça. A última ‘gota de romantismo’ ficou por conta dos dançarinos Lucineia Pereira e Carlos Cruz, que estenderam a bandeira nacional e rodopiaram no ritmo do samba de Aquarela do Brasil (Ary Barroso). “Cheguei a tempo de assistir a peça inteira e foi ótima. Poesia é sempre muito bom e foi uma noite memorável. Penso que iniciativas como essa deveriam se repetir sempre, para o bem da população de Franca”, afirmou Maria Isabel Campo, colaboradora da Casa Paroquial São Crispim.

Com o fim do espetáculo, o saguão das fotos foi preenchido por vozes e risadas. Enquanto um coquetel era servido, filas se formavam em torno das sete ilhas em que Ângelo Presotto Netto (Meu Mundo! Seu Mundo? Será que tem jeito?), Clésio Dante da Silveira (Veterana Feiticeira), Lucas de Andrade (Nós), Luiz Cruz (Sussuarões), Regina Bastianini (Mar em Canto), Sebastião Girolamo (Na essência da Vida: gestos e palavras) e Zelita Verzola (Crônicas Mínimas) distribuíam autógrafos em suas obras, disponíveis para compra. “Eu acredito que isso que aconteceu hoje seja uma coisa importante e que deva se repetir para que a literatura e a cultura sejam popularizadas e, de fato, sejam um bem distribuído para o povo em função do povo” afirmou um dos escritores, Pd. Sebastião Girolamo.

A sensação que se tinha é que todos ali se conheciam. Ou se reconheciam. Rodas de conversas perfilavam e a aglomeração chamou a atenção de quem não esperava tamanho sucesso. “É muito gratificante. Um número de pessoas que assusta. A gente tem a mania de falar que as pessoas não gostam desse tipo de evento, que não participam, e, na verdade, participam”, disse Regina Helena Bastianini em um momento de pausa nos autógrafos. “O evento foi muito melhor do que eu esperava. A afluência de pessoas foi algo extraordinário, espetacular”, completou Luiz Cruz.
 

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