A prestação de contas apresentadas pelos vereadores eleitos à Justiça Eleitoral na semana passada mostra que a diferença de investimentos na campanha deste ano entre os 15 eleitos ultrapassa os R$ 60 mil e que dois veteranos gastaram mais por voto (divisão do número de votos pelo total gasto na campanha).
Vereadora mais votada na cidade e estreante em disputas eleitorais, a ex-secretária municipal de Urbanismo e Planejamento Valéria Marson (PSDB) foi a que mais gastou na campanha e a terceira no ranking dos votos “mais caros”. Ela declarou à Justiça ter investido em sua campanha perto de R$ 63 mil, o equivalente a R$ 11,20 por voto. A maior parte dos recursos saiu do bolso da própria Valéria. Ela também contou com R$ 20 mil doados pela construtora MRV.
Segundo sua prestação de contas, a maior parte dos recursos foi gasta com publicidade e propaganda.
Os gastos declarados por Valéria Marson na campanha superaram o limite imposto pelo próprio partido. “Isso é uma irregularidade. Agora as contas deverão ser analisadas pelo promotor de Justiça Eleitoral e pelo juiz. Ela pode ser obrigada a pagar multa e até responder a um processo por abuso de poder econômico”, explicou Marcelo Queiroz, chefe do Cartório da 46ª Zona Eleitoral. O valor da multa varia de cinco a dez vezes o valor da quantia em excesso.
A reportagem procurou Valéria Marson, por telefone, na última sexta-feira, para ela falar sobre o excesso de gastos, mas não a encontrou.
Quem também investiu pesado nestas eleições foram dois vereadores veteranos. Jépy Pereira (PSDB), que disputou seu sexto mandato, e Miguel Laercio Mathias, o Laercinho, (PP), em sua quinta eleição, gastaram mais de R$ 40 mil cada um. Como no caso da ex-secretária, a maioria dos recursos foi empregada pelos candidatos em publicidade. Cada voto conquistado por Jépy “custou” R$ 17,71. Laercinho vem em segundo, com R$ 17,62 (ver quadro).
ECONÔMICOS
Na outra ponta, está o vereador eleito Donizete da Farmácia (PSDB). Disputando sua quarta eleição e eleito pela primeira vez, o tucano disse ter gasto apenas R$ 1.174,06, o equivalente a R$ 0,37 por voto. Donizete disse que não fez campanha e que só gastou com a impressão de santinhos. “Meus votos foram resultado do meu trabalho no dia-a-dia na farmácia e nos jogos do campeonato varzeano de futebol. Não fiz nem visita nas casas dos eleitores. Quem votou em mim votou porque já conhecia meu trabalho.”
Ele acredita que, se tivesse investido mais recursos, teria sido o vereador eleito com maior número de votos. “Tem muito candidato que não é conhecido, que não tem um trabalho forte e precisa investir pesado em marketing para conseguir votos. Eu não. Se eu tivesse mais dinheiro, com certeza, estaria entre os mais votados.”
Para comprovar sua tese, o tucano Donizete lembrou da eleição para deputado federal que disputou em 2010. “O partido me deu R$ 20 mil para gastar na campanha e eu fui o terceiro mais votado da cidade, com 11 mil votos (ele não se elegeu)”.
Outro que também gastou pouco foi Claudinei da Rocha (PP). Com um trabalho forte na região sul da cidade, ele praticamente não precisou fazer campanha. Claudinei mantém uma ONG que atende mais de 180 crianças e jovens na região do Jardim Aeroporto com cursos de música e futebol.
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