Nascem 43 prematuros por mês; taxa de mortalidade cresce


| Tempo de leitura: 3 min
Laura Pacheco com o filho Pedro Antonio Ferreira de Souza, que nasceu prematuro, com 1,29 kg
Laura Pacheco com o filho Pedro Antonio Ferreira de Souza, que nasceu prematuro, com 1,29 kg

A cada minuto que passa 28 crianças em todo mundo nascem antes de completar as 36 semanas de gestação, período considerado ideal pelos médicos para o desenvolvimento de um bebê saudável. Em Franca, 345 crianças nasceram prematuras de janeiro a agosto deste ano, uma média de 1,4 por dia. Uma das consequências da prematuridade é a mortalidade infantil, principal índice usado pela Organização Mundial de Saúde para medir o nível de saúde de um país. Segundo a Fundação Seade, a taxa de mortalidade infantil em Franca registrou aumento no ano passado (leia mais nesta página).

Uma das ferramentas mais importantes para o combate à morte dos prematuros são as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) infantil ou neonatal. Foi um desses centros médicos que salvou a vida de Pedro Antonio Ferreira de Souza, hoje com 10 meses de idade. Ele nasceu no final de dezembro de 29 semanas, pesando 1,29 kg e ficou 37 dias internado na Santa Casa.

“Ele foi entubado, mas por pouco tempo. O pulmão dele já estava bem desenvolvido. O principal problema é que ele não conseguia mamar. Foi preciso alimentá-lo através da sonda, mas, conforme o tempo foi passando, ele foi evoluindo e passei a amamentar, normalmente”, disse a mãe, Laura Pacheco, que trabalha no setor de relacionamento com a comunidade no próprio hospital.

Segundo ela, um dos pontos fundamentais no processo de desenvolvimento do bebê prematuro é a presença da mãe. Na Santa Casa, existe o projeto Mamãe Canguru, que consiste em deixar a criança o mais próximo possível da mãe. Segundo os pediatras, os bebês prematuros vinculados ao colo de suas mães tendem a sofrer menos alterações nos batimentos cardíacos e nos níveis de oxigênio no sangue. Aquecidos pelo calor materno e embalados pelo pulsar do coração da mãe, os bebês cangurus não têm tanta dificuldade para respirar, o que é um dos maiores desafios de quem nasce antes do tempo.

“Quem olha ele hoje, não diz que nasceu prematuro. É um menino forte, nunca adoeceu e é muito esperto. Nasceu de sete meses, mas faz coisas que algumas crianças que nasceram de nove não fazem”, diz a orgulhosa mãe.

Um prematuro nascido em 2008 na Santa Casa virou notícia nacional. João Gabriel, com menos de seis meses de gestação, nasceu com 555 g e 21 cm - o peso médio de um bebê recém-nascido é de 2,9 quilos.

Ele tinha 20% de chance de sobreviver. Ficou na UTI por três meses e teve alta com 2 quilos. Hoje, com 4 anos, é atendido regularmente no PSF (Posto de Saúde da Família) de Restinga e faz tratamento na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) em Franca.

EVOLUÇÃO
O pediatra Marcelo Bittar, responsável pelas UTI’s Neonatais da Santa Casa e do Hospital Regional - que concentra o setor de pediatria da Unimed -, diz que desde os anos 80 a medicina evoluiu muito no que diz respeito à expectativa de vida de bebês prematuros, devido a vários fatores.

Ele diz que foi através das unidades de terapia intensiva desenvolvidas, exclusivamente, para o tratamento de crianças que foi possível cuidar da imaturidade pulmonar, principal causa de morte em recém-nascidos abaixo de 2,5 kg.

Atualmente, os pediatras contam com drogas mais desenvolvidas, que permitem um ganho na sobrevida do bebê. Além disso, os centros infantis da cidade dispõem de uma equipe formada por infectologistas, cirurgiões, nutricionistas e técnicas de enfermagem.

De acordo com Bittar, o sistema imunológico - responsável pelo combate às infecções -é mais frágil em crianças prematuras. “Eu trabalho em duas UTI’s. Visito-as toda semana. No entanto, nunca pego uma infecção. Isso acontece porque eu (sendo um adulto) tenho um sistema imune e que me defende dessas bactérias e vírus espalhados no ar. Já os bebês não produzem uma quantidade adequada de anticorpos e por isso ficam com a imunidade baixa, o que pode elevar a taxa de mortalidade.”

O médico explica que quase todos os dias recebe e atende novos casos, alguns dramáticos. “Recebi recentemente um casal de gêmeos vindos de Igarapava. A mãe tinha 22 anos e teve uma parada cardíaca enquanto fazia uma consulta e morreu. Levaram-na, correndo, para o centro obstétrico, fizeram uma cesárea e os bebês sobreviveram.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários