‘Duas Palhaças’ estreia hoje no Teatro do Sesi; entrada é gratuita


| Tempo de leitura: 3 min
Karla Concá e Vera Ribeiro, da Cia As Marias da Graça, apresentam: Duas Palhaças
Karla Concá e Vera Ribeiro, da Cia As Marias da Graça, apresentam: Duas Palhaças

Vários tapetes, uma cadeira, um aspirador de pó e iluminação. Este cenário simples abriga a história de duas palhaças com personalidades opostas que passam a ter que conviver em um teatro decadente. Enquanto Shoyo (Vera Ribeiro) possui uma alma alegre e musical, Indiana (Karla Concá) é a rabugice em pessoa. O ponto médio que as une é a história mais famosa de Exupéry, embora ambas não saibam disso. O roteiro faz parte da peça Duas Palhaças, encenado pela cia. carioca As Marias da Graça neste sábado, às 20 horas, no Teatro do Sesi. “Criamos esta peça para o aniversário da Margarida, palhaça interpretada por uma amiga nossa. Ficamos escolhendo qual seria o presente no aeroporto quando passamos por uma livraria. Acabamos comprando O Pequeno Príncipe para dar mas teríamos também que apresentar uma peça neste aniversário; no meio do caminho, pegamos o capítulo da raposa e criamos uma cena” revelou Vera. A partir daí as palhaças começaram a repetir o experimento em outras rodas e ruas e o trabalho foi ganhando corpo. “As pessoas começaram a chamar a gente e participamos de festivais, até que, um dia, vimos um edital e nos inscrevemos. Aí sim a cena virou um espetáculo”, completou.

A trama, que tenta resgatar algumas reflexões atemporais, toca com sutileza em pontos como a transformação do ser humano.”A minha palhaça é uma mulher infeliz, sozinha, que perdeu a esperança de várias coisas na vida. Os objetos dela, uma cadeira e o aspirador de pó, são as coisas com que ela se relaciona. Até que aparece a Shoyo, que é quem traz a esperança de fora” adiantou Karla.

A convivência forçada entre as palhaças vem da ruína financeira de Indiana. O teatro falido é a última coisa que lhe resta e, na tentativa de conseguir algum lucro, ela tem a ideia de transformar o espaço em uma espécie de reality show em que Shoyo topa participar e ganha influência sobre Indiana, como explicou Karla. “Em dado momento da história, a Shoyo pede para a Indiana ler o livro (O Pequeno Príncipe). Pelo dinheiro que está recebendo, ela acaba topando e tudo se transforma. O sentimento dela muda porque ela toma contato com partes esquecidas da sua personalidade. Aquela mulher toda brava cai em um choro profundo e vem o desenrolar da peça. Acaba sendo um mergulho em muitas reflexões.”

AS MARIAS DA GRAÇA
Formado hoje por Geni Viegas (Maffalda dos Reis), Karla Concá (Indiana da Silva), Samanta Anceães (Iracema) e Vera Ribeiro (Shoyo da Gama), o grupo ‘das Marias’ atua há 21 anos no mercado, sendo pioneiro na luta pela inserção das mulheres na profissão de palhaço. Além das peças, a trupe promove o Festival Internacional Esse Monte de Mulher Palhaça, que acontece de forma bienal no Rio de Janeiro e cede oficinas à mulheres vítimas de violência doméstica. “A primeira vez que fomos chamadas para fazer um trabalho desse foi um susto. Ficamos pensando em como juntar humor e violência que são duas coisas que não combinam. Mas acabou dando tudo super certo. Vamos começar um trabalho agora em Manguinhos, que é uma área muito violenta”, disse Karla.

As Marias da Graça tornou-se um ponto de cultura no Rio de Janeiro.

SERVIÇO
Duas Palhaças
Data e horário: 10 de novembro, às 20h
Local: Teatro do Sesi - Avenida Santa Cruz, 2.870, Vila Scarabucci
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 10 anos
Entrada: Gratuita. O Sesi pede para que os ingressos sejam retirados com pelo menos meia hora de antecedência

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários