Década de 60, na Praça Barão, era das mais co-nhecidas e freqüentadas lojas da cidade. Em dois espaços separados por degraus internos vendia artigos dentários e rádios, discos e material fotográfico. Jorge Kairala, dono e atendente, ao enviuvar casou-se com Shirley, funcionária da loja, desde muito tempo. Ainda há, nas coleções particulares, discos de 33, 45 e 78 rotações comprados lá, com a etiqueta dourada, marca re-gistrada da loja. A Lâmina de Outro patrocinava programa de rádio, campeão de audiência, que ia ao ar todo sábado, por volta das 19 horas. Era quando as mocinhas e mocinhos se aprontavam para sair e ouviam no rádio os sucessos da se-mana. E ainda tinha sorteio que se chamava "Não diga alô! Diga A Lâmina de Outro vale um tesouro!" O locutor anunciava no ar os três primeiros dígitos dos números dos telefones (eram apenas quatro). Se o telefone de nossas casas, cujos três primeiros algarismos eram os citados, tocasse nesse momento, era sinal de que poderíamos ser o sortudo da noite. Aí atendía-mos já dizendo: A Lâmina de Ouro vale um tesouro!" E pronto: valia um LP.
Certa vez tocou na casa de figura das mais mal humoradas que Franca já teve. De maus bofes e gago. Ele atendeu, dizendo Alô! O locutor, no ar, perguntou quem era, ele disse o nome. Emen-dou: Que pena sr. Fulano! O senhor não podia dizer Alô! Tinha que dizer "A Lâmina de Ouro vale um tesouro!" O sr. acabou de perder um LP! Do jeito que veio, a resposta foi devolvida, também no ar: "E, e, e, eu to c*g*ndo pra isso!" E desligou o telefone.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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