Durante os últimos anos, boa parte da população francana viveu sob a ameaça de paralisação do único hospital com o qual poderia contar : a Santa Casa de Misericórdia. E foram várias, ora passando pelas cirurgias eletivas, cujas filas continuam longas até hoje, ora resvalando nas consultas ou em vários outros serviços.
As explicações para essas ameaças eram sempre as mesmas: o repasse insuficiente feito pelo SUS, a falta de recursos, o déficit mensal de R$ 2,5 milhões e uma dívida de aproximadamente R$ 60 milhões. Nessas ocasiões, a fala da diretoria da Santa Casa era bastante clara. Ou se arranjava o dinheiro imediatamente, ou o hospital fecharia suas portas em um curto espaço de tempo. Isso motivou inúmeras reuniões entre representantes do governo do Estado, nossos deputados, representantes da Prefeitura e a própria Santa Casa.
Mas eis que de repente, não mais que de repente, o mesmo presidente que ameaçava paralisar as atividades até bem pouco tempo atrás vem a público dizer que não existe crise na Santa Casa e que a situação está sob controle.
Para quem acompanha o desenrolar dos acontecimentos em nossa cidade, essa declaração soa, no mínimo, estranha. Se a situação hoje está sob controle, com a mesma dívida, o mesmo déficit e o mesmo insignificante repasse feito pelo SUS, por que antes era diferente, motivando tantas ameaças de paralisação?
Obviamente, não se pode desprezar a conotação política da entrevista concedida pelo presidente Luis Aurélio Prior ao Comércio da Franca. Depois do que disse o prefeito Sidnei Rocha à Rádio Difusora de Franca, e da demissão praticamente imediata do superintendente Fernando Bueno, era bastante óbvio que o ambiente iria esquentar na Santa Casa, com muitos funcionários temendo pelo pior.
Talvez para conter essa ansiedade, Prior tenha vindo a público com esse discurso de ‘tudo sob controle’ e que as mudanças não significariam uma total reestruturação do quadro funcional. O problema é que não é nada fácil acreditar nisso. É difícil imaginar que uma organização que deve R$ 60 milhões e tem um déficit mensal de R$ 2,5 milhões não esteja vivenciando uma crise bastante aguda.
E para piorar a situação, a Santa Casa começou a se reestruturar de uma forma que dá toda razão ao desabafo do prefeito, pois de acordo com o presidente, não haverá mais superintendente na equipe. Na lógica cartesiana mais simples, se ele não faz falta agora, não deveria fazer antes, sobretudo com o alto salário que recebia, uma vez que, ainda de acordo com o presidente, estão faltando cerca de 40 técnicos em enfermagem.
Ou seja, para além dos problemas de falta de recursos, há também o da má administração. E isso é fato, mesmo que nunca explicado pela Santa Casa.
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