Fundação Casa apura denúncias de maus-tratos na unidade de Franca


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Padre Ovídio, presidente da Pastoral do Menor, nega agressões: ‘Estou lá todos os dias e não estou vendo nada’
Padre Ovídio, presidente da Pastoral do Menor, nega agressões: ‘Estou lá todos os dias e não estou vendo nada’

A Fundação Casa vai abrir sindicância para apurar denúncias de maus-tratos dentro da unidade de Franca. Duas mães procuraram a reportagem do Comércio nesta semana para denunciar que agentes estariam agredindo seus filhos. “Não tenho onde recorrer. A gente tem medo de denunciar, porque aí eles vão saber o nome da gente... E vai saber o que pode vir a acontecer com o meu filho”, disse Ana (nome fictício). Segundo um dos gestores da unidade local, as agressões não existem. Mesmo assim, as denúncias devem ser apuradas (leia mais em texto nesta página).

Um dos seis filhos de Ana está internado há quatro meses na unidade local da Fundação. O menor, de 17 anos, foi apreendido com mais quatro pessoas (dois maiores e dois menores) por tráfico de drogas. O adolescente, que ficou 45 dias na UIP (Unidade de Internação Provisória), foi transferido para a Fundação Casa de Batatais, onde ficou internado por três semanas. Depois, voltou à unidade de Franca.

A primeira vez que o interno relatou as agressões à mãe foi no dia 21 de outubro. “Ele me disse que não estava aguentando de vontade de fumar maconha. Ele fuma mesmo, isso eu não vou negar. Disse que estava com vontade porque tinha um menino fumando lá. Não sei de onde surgiu a ‘maldita’, mas pegaram ele e mais dois fumando lá dentro. Tudo bem que ele estava errado, mas bateram nele. Deram soco na boca. Ele usa aparelho, cortou toda a boca dele”, disse Ana.

No último domingo, 3, o menor voltou a se queixar de maus-tratos. “Deram uma ‘voadora’ (chute) no estômago dele. Perguntei o que ele fez, ele disse que não tinha feito nada. E disse para eu não falar nada com ninguém, porque se alguém descobrisse que ele contou que apanha, poderia ser pior”, afirmou.

Maria (nome fictício) diz que a mesma coisa acontece com seu filho, interno da Fundação há quase seis meses. Aos 16 anos, o menor foi preso em uma batida policial na Praça Zumbi dos Palmares com drogas. “Ele apanha também. Quando é dia de visita, ele mostra para mim quem é que bate, mas a gente não pode ficar olhando muito, porque eles desconfiam, né?”

Nem Maria nem Ana fizeram denúncias formais contra os agentes. Elas têm receio de que revelando suas identidades “algo pior” possa acontecer a seus filhos. O sentimento de revolta é nítido. “Eles falam que a Fundação Casa de Franca é o espelho das fundações, mas não é não. Nós que somos mães não podemos dar um tapa nos filhos. Se a gente bate, vem o Conselho Tutelar. Agora eles vão presos, já estão pagando pelos erros deles, chegam lá dentro e ficam apanhando de graça?”, questiona Maria.

Ana concorda com a colega. “Perguntei para a assistente social se eles apanhavam, e ela só disse: ‘Que eu saiba, não’. Eles vão lá para serem espancados? Violência gera violência. Uma hora eles se revoltam.”

OUTRO LADO
De acordo com padre Ovídio de Andrade, presidente da Pastoral do Menor de Franca, que tem gestão compartilhada com a Fundação Casa, as agressões não existem. “Estou lá todos os dias e não estou vendo nada. O que acontece, às vezes, é que alguns meninos querem armar um ‘circo’ com algumas coisas. Fazemos a confrontação dessas situações e chamamos a famílias. E tem família que sequer nos houve”, disse.

O padre diz ainda que a diretora da Fundação, Eloaine Aparecida de Souza, faz questão de “não esconder nada” do que acontece na unidade. “Qualquer situação contrária, ela chama a Ouvidoria (da Fundação). Vou ser sincero, tem menino que está lá, mas quem deveria estar lá dentro, desculpe a expressão, é o pai ou a mãe”, concluiu.

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