A Polícia Civil, através da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), deu sequência ontem aos trabalhos para desarticular um esquema de receptação de veículos roubados em Franca. Quatro automóveis foram apreendidos e duas pessoas presas em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo. As investigações, iniciadas há mais de um mês, prosseguem na tentativa de localizar e prender o responsável pelo repasse dos carros oriundos de furtos e roubos e identificar outros receptadores.
O Sivecar (Setor de Investigações de Furtos e Roubos de Veículos e Cargas) da DIG colheu informações de que moradores de Franca, com alto poder aquisitivo, estariam receptando veículos produtos de furtos e roubos em outras regiões. “Hoje (ontem), desencadeamos uma operação e conseguimos localizar estes dois rapazes na posse, cada um, de dois veículos oriundos de crimes cometidos nas cidades de Sertãozinho (SP), Uberaba (MG) e Brasília (DF)”, disse Márcio Murari, delegado que comanda as investigações.
Na operação foram presos os industriais William Henrique Assis, 35, residente em uma chácara no Recreio Capitão Heliodoro, e Carlos Aparecido Pereira, 50, morador no Jardim Riviera. Segundo a polícia, com o industrial do Heliodoro foram apreendidos uma Parati furtada em Sertãozinho e um Kia Sportage roubado em Brasília. Outra Parati, também produto de furto em Sertãozinho, e uma Pajero, roubada em Uberaba, estavam na casa do Riviera.
Os quatro veículos apreendidos foram periciados pelo IC (Instituto de Criminalística), que comprovou as adulterações. “Ao analisar os veículos, o perito constatou as adulterações e chegou aos números de identificação verdadeiros. Acionamos as polícias das cidades de origem dos veículos e os crimes de furtos e roubos foram confirmados”, disse Murari.
Em seus depoimentos, os dois presos alegaram que adquiriram os carros da mesma pessoa, e que o “vendedor” ficou de levar os recibos posteriormente. Os dois, segundo Murari, não são pessoas ligadas ao comércio de veículos, mas acabaram aproveitando a oportunidade de terem em suas posses veículos de alto valor. “Certamente sabiam da origem espúria destes carros”, acrescentou o delegado.
A polícia não descarta a possibilidade do envolvimento dos presos com uma quadrilha especializada em furtos, roubos, adulteração e receptação de veículos. As investigações vão prosseguir, de acordo com o delegado, para que sejam identificados os responsáveis pela vinda dos carros para Franca e quem são os outros receptadores.
Como a adulteração de sinal identificador de veículo é crime passível de pena de mais de quatro anos de reclusão, os presos não puderam pagar fiança para responder aos inquéritos em liberdade. Eles deverão passar os próximos dias recolhidos no CDP, até um pronunciamento da Justiça.
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