Por aqui, nos anos 50, contamos com grandes mestres da bola, mas a economia francana começava a dar sinais de enfraquecimento: o setor agrícola debilitava-se e a exportação de calçados ainda não tivera início, e isso dificultava a montagem de grandes times. Mesmo assim, a Francana contou, entre outros, com Leonardo, que substituiu Luizinho Rosa, Inglês, Ditinho, Hélio Lucas, Prates, Próspero, Fausto, os goleiros Caju, que viera do Internacional de Limeira e Garito, irmão de Cabelo, centroavante do nosso querido clube coirmão, o Palmeiras F. C., de onde veio Newland, habilidoso ponta esquerda.
Brilhou também um prata-da-casa que havia jogado na Portuguesa de Desportos, Hélio Leite. Houve outros, como Braguinha e Dozinho, que foi, ao deixar a Francana, brilhar no América de Rio Preto.
Do celeiro local de atletas saíram talentos como Colete, craque elegante, um gigante na intermediária; Medéia, Juarez, o ‘briguento’ Tenente, astro dos aspirantes.
Assistir aos jogos, para nós crianças de pais remediados, era uma dificuldade. Como entrar no estádio pagando Cr$ 2,00? Digo isso para contar boa ação de Tonho Rosa.
Ao chegar ao estádio, passava pela bilheteria e com uma nota de Cr$ 20,00 pagava a entrada de dez meninos, para a alegria dos pequenos que rodeavam os portões de entrada. Fui um desses beneficiados. É bom deixar registrado: Tonho Rosa, além de craque consagrado, era amigo dos pequenos.
De jogos inesquecíveis, não posso deixar de lembrar também de partida contra a líder Ferroviária. Vencemos por 3 x 0. É bom que se diga que não estávamos numa boa posição na tabela: a vitória veio pela determinação, garra e amor à camisa.
Dos jogos contra a Ponte Preta de Campinas tenho boas e más recordações. Houve uma partida no Estádio Moises Lucarelli, em Campinas, que ganhamos de 3 x 1. No terceiro gol da Francana, eu - acintosa e irresponsavelmente - vibrei com todas as forças e... levei o troco. Um torcedor pontepretano não tolerou minha audácia e me agrediu. Foi a primeira e única vez que apanhei em um estádio de futebol. Aprendi a lição.
Tem outra partida, a de 1969 contra a mesma Ponte. Era a final do torneio de acesso e ganhamos bem (3 x 1), com um time afinadíssimo (Manzato, Valdomiro, Duda, Alemão e Jorge (Clóvis); Elias e Emílio (Geraldo); Gibi, Zé Augusto, Paulo Leão e Carlos César, com o técnico José Chagas, o Eca! Mas não levamos. Dizem que o regulamento...
Os jogos que levaram a Francana à primeira divisão eu não pude assistir, pois me encontrava a serviço no exterior e, naquele tempo, não havia nem internet nem TV de ampla cobertura, como temos hoje. Mas, não deixei de acompanhar a trajetória do time e de vibrar.
Essas são recordações sobre o clube do meu coração, pequenas histórias de alguns dos seus cem anos.
Estou presente na festa do centenário, ainda que de memória. Quero ajudar a levantar a bandeira do meu time ainda que ele esteja enfrentando percalços em direção à glória. Nós, francanos, não podemos deixar que um patrimônio moral e material, idealizado e construído ao longo de um século, se perca. Essas memórias, aqui descritas, são uma forma de homenagear o clube, seus fundadores, atletas e torcedores, e de propor a renovação da saga daqueles que há cem anos sonharam com um grande clube, numa grande e acolhedora cidade, como sempre há de ser a gloriosa A. A. Francana.
Vicente de Paula Oliveira
Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor do Instituto Avante Brasil
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