Fazer o sucessor era questão de honra para o prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Em outubro de 2011, ao lançar os candidatos que disputariam as prévias do PSDB, ele afirmou não ter dúvidas de que venceria as eleições. O caminho até a consagradora vitória foi tortuoso.
Primeiro, as prévias provocaram um racha com o deputado Roberto Engler (PSDB). Sentido-se traído pelo prefeito, o coordenador regional do PSDB ignorou a disputa e a campanha eleitoral. Afirmou que seria difícil o partido manter a Prefeitura.
Não bastasse o rompimento com o deputado, as prévias também provocaram animosidade entre os candidatos tucanos Valéria Marson, Sebastião Ananias e Alexandre Ferreira. Escolhido o nome, as primeiras pesquisas indicaram baixa intenção de voto. Não era só. Antigos aliados, como o deputado Gilson de Souza (DEM) e o vice, Ary Balieiro (PTB), abraçaram candidaturas concorrentes.
Começou o horário eleitoral. Sidnei se transformou no principal protagonista do programa tucano. Destacou suas realizações e disse que havia preparado Alexandre para dar sequência ao seu trabalho.
Veio o primeiro turno. O afilhado político do prefeito atropelou a favorita Graciela Ambrosio e ganhou. Depois, foi só esperar o segundo turno. Nova vitória.
Sidnei Rocha cumpria a promessa feita um ano antes: o seu candidato foi eleito prefeito de Franca. Era esperado que Sidnei viesse a público e comemorasse a vitória no mesmo dia. Nada disso. Ele ficou calado e recusou todos os pedidos de entrevista. “O momento é dele.” A solitária comemoração foi em casa com a família e os inseparáveis charutos.
Na terça-feira, o prefeito decidiu falar e escolheu a rádio Difusora para conceder a entrevista mais polêmica de seus oito anos de governo. Disparou a metralhadora de críticas contra os deputados e a direção da Santa Casa. No dia seguinte, o superintendente do hospital, Fernando Bueno, foi mandado embora. As outras sequelas do “tiroteio” ainda são desconhecidas. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.
Comércio - Por que o senhor preferiu a reclusão no dia da eleição em vez de comemorar o resultado pelo qual tanto lutou?
Sidnei Rocha - Faz três dias que não falo. Então, estou com uma vontade de falar danada. Tomei uma posição pessoal no sábado, domingo e segunda de não falar nada. Como eu disse para o jornal Comércio da Franca, o dia é dele. O período tinha que ser do Alexandre. Ele teve todos os méritos como um grande batalhador, fez uma campanha irrepreensível. Naquilo que tinha que fazer, ele foi perfeito. E, ele merecia ter todos os espaços. Se eu começasse a aparecer, se fosse na festa da vitória, dividiria as atenções.
Comércio - Como o senhor avalia as afirmações de que foi uma vitória do Sidnei?
Sidnei Rocha - É uma força de expressão. Claro que eu fui chave fundamental neste processo. Tenho plena consciência disto, até porque eu era o mais experiente em política. O Alexandre nunca havia sido candidato. Nós montamos uma estratégia usando a credibilidade do prefeito e a determinação do candidato, que eu já conhecia desde as prévias. Nas eleições internas do PSDB, ele saiu atrás dos outros e ganhou bem. Foi quando percebi que era uma pessoa determinada.
Comércio - O senhor está pronto para sair de cena?
Sidnei Rocha - Estou. Tenho muito claro isto: rei deposto, rei morto. Estarei à disposição dele no que ele pedir, mas não pretendo governar a quatro mãos. Esta frase não esqueço nunca [foi dita pelo vice, Ary Balieiro], não tem nada disto. O prefeito é o Alexandre. Não quero ser aquela figura que vai querer pegar carona no bom e correr do ruim. Estarei à disposição dele, quando ele precisar de mim, mas só vou dar palpite se ele quiser. A responsabilidade total tem que ser dele.
Comércio - Os adversários fizeram muitas ataques ao setor de saúde. Como o senhor avalia as críticas?
Sidnei Rocha - Tenho a impressão de que o Alexandre foi o único secretário de Saúde eleito prefeito no País. A saúde foi a vedete no Brasil inteiro. Tudo é de graça, o SUS não manda dinheiro suficiente e os municípios não dão conta sozinhos. Não é uma exclusividade de Franca. A queixa é generalizada. O problema é a falta de dinheiro do governo federal. Mesmo no particular está complicado. As falhas não são tantas quanto foi falado na campanha. Acho que este foi o primeiro grande erro dos adversários: acreditar que 100% da população reprovava a saúde pública.
Comércio - Não faltou clareza de parte a parte? O Alexandre também não errou ao não explicar a real situação?
Sidnei Rocha - Sim, sim, mas propositalmente. Temos números que indicam que, no máximo, 20% reclamam. Como os outros seis candidatos entraram já de pau na saúde, nós tiramos o Alexandre de falar de saúde no primeiro turno. Isto até o deixou incomodado, mas fazia parte da estratégia. No segundo turno, quando eram apenas dois candidatos, a gente começou a mostrar a evolução que houve. A gente sabia que um percentual enorme dos usuários não estava insatisfeito.
Comércio - No primeiro turno, o Alexandre trouxe assuntos que estavam fora da pauta, como culpar o Estado pelo aumento da fila de cirurgias eletivas, dizer que a Santa Casa não tinha estrutura e que a dívida da Prefeitura era brutal, sendo desmentido depois. O que o senhor sentiu naquele momento?
Sidnei Rocha - Frio na espinha. Reunião logo depois. Não tem que falar um negócio deste. A dívida está equacionada. Tinha é que pregar o pau no PT, que não pagou Fundo de Garantia, nem a Previdência Social dos trabalhadores. Aliás, quando vi o tal de [Gilson] Pelizaro, uma figuraça, o grande perdedor de eleições, dizendo ‘temos que investigar esta dívida porque é muito grave’, eu pensei: tinham é que estar na cadeia pelo mal que fizeram à cidade e ficam falando em investigar.
Comércio - O senhor foi muito criticado por não buscar recursos em Brasília. Por que não foi?
Sidnei Rocha - Não adianta. Você tem que mandar o projeto pela internet. Vou te dar um exemplo: o Ubiali foi visitar o ministro das Cidades e me ligou dizendo que estavam liberando R$ 10 milhões. Mandei o projeto, mas não tinha nada. O cara ia estudar para ver se era possível. Até hoje, nada. É muita enganação.
Comércio - O governador Geraldo Alckmin prepara uma reforma administrativa. O Sidnei Beraldo deve deixar a Casa Civil. O senhor vai para lá?
Sidnei Rocha - Não tenho plano para depois que sair da Prefeitura. Tenho só um plano: vou desmistificar estes deputados de Franca, todos. Formação de governo é um coisa complicada, envolve partido, um monte de questões. Não é simples assim, não. Não basta ter boa aceitação como eu tenho. Depende do convite e do que for. Se for algo consistente, analiso com profundidade. Se não for, vou ficar aqui perturbando a vida dos deputados.
Comércio - Inclusive o [Marco Aurélio] Ubiali, que te apoiou no segundo turno?
Sidnei Rocha - Inclusive. Já comecei a desmistificar agora falando sobre o papo com o ministro das Cidades. É só enrolação, embromação e outdoor. O Gilson de Souza arrumou R$ 1 milhão da verba pessoal dele para a Santa Casa e encheu a cidade de outdoor. Em 40 dias, arrumei R$ 5,5 milhões e ninguém viu nenhum outdoor. ‘Male má’ o Comércio da Franca deu uma notícia. O outro [Roberto Engler] cobre duas ou três quadras e coloca outdoor, o outro [Ubiali] vai a Brasília, visita o ministro e já anuncia que tem R$ 10 milhões. Quero desmistificar isto.
Comércio - Como o senhor avalia o trabalho dos três?
Sidnei Rocha - Muito ruim, muito ruim, não fizeram nada para ajudar. Mandei ofícios para os deputados repassarem as verbas pessoais para isto e aquilo e eles não deram nem resposta.
Comércio - O que é esta desmistificação que o senhor propõe. Discurso ou a construção de uma candidatura que tire os três?
Sidnei Rocha - Começamos um processo grande de renovação. Se tiver nomes novos que se destaquem, está na hora. Minha missão foi, primeiro, tirar Franca do buraco. Agora, é tirar Franca da mentira, da enrolação. Deputado que usa aquela campanha de voto nosso deve trabalhar por Franca e não para Santa Bárbara D’oeste [um dos redutos eleitorais de Engler]. É isto que não fazem. Fica esta enganação aí. É isto que vou fazer quando sair da Prefeitura: desmistificar este negócio: ou trabalhe por Franca ou cai fora. Chega de enganação.
Comércio - O senhor pretende se candidatar a deputado em 2014?
Sidnei Rocha - Não é muito a minha praia. Não gosto disso. O partido em São Paulo vai me pressionar, mas não tenho tendência, não. Não descarto, mas também não afirmo que serei candidato a deputado.
Comércio - Nem a possibilidade de ir para um confronto direto com o Ubiali e com a Graciela o seduz?
Sidnei Rocha - Não, não. Eles já caíram sozinhos, estão caindo pelas tabelas. Não precisam de mim para acabar com esta farsa toda. Não precisa de mim.
Comércio - O que o senhor gostaria de ver do Alexandre no exercício do poder?
Sidnei Rocha - Fazendo igual eu. Trabalhando, indo firme, tomando decisões. Ele já demonstrou que é trabalhador. O que vai precisar, agora, é de jogo de cintura político necessário para e-xercer o cargo.
Comércio - Qual deve ser a preocupação do próximo prefeito?
Sidnei Rocha - A sequência de um trabalho é importante. Algumas coisas precisam ser desmistificadas, também, como o planejamento: você tem uma cidade velha, que cresceu como todas as cidades antigas e não tem jeito de consertar o que foi feito. Na periferia, são avenidas largas, melhor condição. Hoje, o pessoal vem falar do trânsito, é uma imbecilidade falar isto, não tem jeito pô! As ruas são estreitas, como é que vai fazer? Vai desapropriar as casas tudo? Não tem dinheiro para isto. Tem umas coisas que o pessoal vai falando e vira moda: ‘precisa planejar a cidade’. A cidade está planejada na medida do possível.
Comércio -A construção de outros viadutos não poderia ajudar?
Sidnei Rocha - Sim. Sempre falei que precisa fazer outros. Quando eu critiquei alguns vereadores, eu estava certo. Semáforo inteligente! Pô, se isto fosse solução, em São Paulo não teria congestionamento.
Comércio - Essa proposta é do PSB de Ubiali, que te apoiou no segundo turno. Era condição para apoiar algum candidato que as propostas dele fossem incorporadas pela próxima administração...
Sidnei Rocha - Vai incorporar coisa nenhuma. Tem umas coisas malucas lá, que ele colocou, 350 guardas... Que coisa maluca é um negócio destes? São coisas de bastidores, você não sabem. Agora, eu vou contar. Quando teve a reunião para decidir as coligações no segundo turno, eu fui voto vencido no grupo. Eu disse: “vamos ganhar sozinhos. Deixa os outros para lá. Eles que vão apoiar a outra candidata. O PT já foi, que vão os outros também”, mas fui voto vencido. Eu fui o único contra. Eles não me meteram o pau no primeiro turno? Então, fica sozinho. A gente ganharia com eles ou sem eles. Seria a mesma coisa. Não mudou nada o apoio do Ubiali. Não mudou nada. Ganharia de todo o jeito.
Comércio - O seu vice não te apoiou, o deputado do seu partido não te apoiou e, na reta final, o senhor perdeu o secretário de Finanças, que foi uma peça importante em seu governo. Como o senhor encarou tudo isto?
Sidnei Rocha - O que que tem a ver? Primeiro, que o deputado não apoiou, não, ele foi contra. Ele panfletou a cidade contra. O Ananias fez uma bobagem. Ele achou que os 90% de aprovação eram dele, mas eram do prefeito. Tanto é que minimizei a saída dele e disse: “a vida continua”. Só esta frase derrubou tudo. É óbvio que a confiança da população era em mim. Eles sabiam que existia um maestro lá, regendo a orquestra rigidamente, não deixando ninguém desafinar. Eu tive uma equipe ótima. Você pensa que foi fácil administrar as vaidades de Ananias, Valéria [Marson, então secretária do Planeja-mento], Jerônimo [secretária da Admi-nistração] e dos outros todos? Eles viviam se bicando lá e eu deixava ir bicando até certo ponto. Quando passava do limite, eu dizia: “ôpa, parou, chega”. Se não, eu tirava sem conversa.
Comércio - O Ananias disse que o senhor não era o chefe dele e, na verdade, era. Por que não o demitiu?
Sidnei Rocha - Porque não. Deixa lá, estava indo bem. É um bom secretário, ótimo secretário, negociou bem as dívidas. Então, aquelas vaidades tolas dele, aquela chatice dele de se achar, eu não dava bola, não ligava. Tinha plena consciência de que o comando era meu. Deixei ele sozinho, com as vaidades tolas e ele caiu sozinho, não é?
Comércio - O que o senhor diz sobre a Santa Casa?
Sidnei Rocha - A Santa Casa é um saco sem fundo e ninguém tem coragem de falar. Tá quebrada, não tem solução. Tá quebrada e não economiza. Alugar um prédio por R$ 40 mil, quebrado, onde já se viu um negócio destes? Tem “nego” lá, que tem o rei na barriga, que tem mais assessores do que o prefeito. Estas coisas precisam ser faladas. Eu vou falar agora. Estou denunciando os desmandos lá. Teve época em que a Santa Casa comprometeu todo o faturamento do SUS com empréstimos bancários e o dinheiro ficava lá em Brasília. Tinha “nego” dizendo que estava salvando a Santa Casa e não estava, não. Estava fazendo empréstimo e comprometendo as receitas. A Santa Casa estava pagando assessor lá para trabalhar para candidato. Ameaçaram cortar o atendimento na “boca” da eleição para me sacanear, óbvio. Quem tá quebrado tem que fazer economia. Na segunda-feira, ao invés de comemorar a vitória, passei e-mail cobrando ajuda do governador. Porque vai quebrar mesmo. Não há manifestação para cortar gastos.
Comércio - Por que a Secretaria de Estado da Saúde não ajuda o necessário?
Sidnei Rocha - A Secretaria fez uma proposta para a Santa Casa. Corta algumas verbas extras, então vem uma verba para pagar a diferença do SUS, mas não vinham os R$ 2,5 milhões que a Santa Casa queria. Vinha bem menos. A Santa Casa não aceitou. Estou reivindicando ao governador que voltem as negociações. Brigou-se, brigou-se e não chegou a lugar nenhum e eles não querem conversar mais. Não há manifestação de cortar gastos. Como é que eu vou chegar lá para o governador e falar que eles se comprometeram a cortar R$ 500 mil por mês, diminuindo assessores e cortando salários de diretores? Não tem esta proposta. Eles querem R$ 2,5 milhões e acabou.
Comércio - Se o atendimento parar o que acontece?
Sidnei Rocha - O caos. Vai parar. Não tem para onde mandar os pacientes. Não tem vagas em outras cidades. Se tivesse, não tem ambulâncias suficientes para transportar os doentes. Eles jogam em cima disto. Sabem que, se parar, será o caos total. É importante dizer isto: quem deve mais de R$ 60 milhões vai parar. Mas é importante que a população saiba que não vai parar por causa de prefeito, vai parar pelos desmandos, por falta de providências no passado e por falta de pagamento do SUS. O governo federal não reajusta a tabela há dez anos. A situação chegou a um ponto que não tem solução. Tem que haver um entendimento entre os governos estadual e federal.
Comércio - Quando o senhor assumiu a prefeitura, o primeiro desafio foi equilibrar as finanças. Qual é o maior desafio de Alexandre?
Sidnei Rocha - É preciso construir casas populares para quem ganha até três salários mínimos. Acho que é importante ele se concentrar nisto. É prioridade.
Comércio - A tarifa de ônibus pode ser revista como chegou a ser proposto na campanha?
Sidnei Rocha - Primeiro, a tarifa não é a mais alta do Brasil como chegou a ser falado. Fui o prefeito que teve a coragem de aumentar antes da eleição. Agora, vai disparar aumento para tudo que é lado. A gente abre licitação e os empresários não entram. As cidades que mantêm a tarifa baixa é porque a prefeitura subsidia. Franca não tem condição de fazer isto. O orçamento é baixo. Numa campanha política, tudo parece simples. Se as coisas fossem tão simples assim, eu teria resolvido. Não sou burro. O que não fiz é que não tinha jeito.
Comércio - A relação da Prefeitura com as concessionárias de transporte e da limpeza pública não precisa ser mais firme?
Sidnei Rocha - Estou de acordo. Acho que o Alexandre precisa reestudar tudo. Mas sempre fiscalizamos.
Comércio - Se tem fiscalização, por que as reclamações sobre a coleta de lixo são tão grandes?
Sidnei Rocha - Ai, é problema de licitação. A Leão entrou com o preço lá embaixo e começou a ter dificuldade para manter a qualidade. Foram lá falar comigo querendo reajuste. Eu falei: “vocês estão loucos. Não vou reajustar”. Liguei para o secretário de Meio Ambiente e disse: “quero que a limpeza volte a ser como era imediatamente, senão, vou denunciar o contrato”. Reajuste só depois de um ano.
Comércio - Onde encontrar gestores competentes com salários tão baixos para recompor a equipe necessária para Alexandre governar ?
Sidnei Rocha - É difícil. Montamos um sistema no gabinete em que o prefeito tem o controle de tudo. O prefeito tem que ser incansável e suprir as deficiências das áreas com controle. O Alexandre vai ter que fazer isto. Ele é o maestro: tem que ensaiar a orquestra, fazer reuniões, orientar e cobrar. Fui um cobrador terrível, chato, doentiamente eu cobrei por telefone, pessoalmente e por bilhetes. O prefeito precisa ter controle total.
Comércio - O senhor tinha mais experiência e comandou uma empresa complexa como a Vasp. O Alexandre não tem esta experiência. Ele está pronto?
Sidnei Rocha - Ele não tem a janela que eu tenho, a experiência que eu tenho. Como eu já disse, vai ser preciso ele aprender o jogo de cintura da política. Evidentemente que, se ele precisar da minha ajuda neste começo, vou ajudar muito. Vamos conversar muito antes da posse. Já falei para ele o seguinte: “começa a pensar que uma coisa é substituir Gilmar Dominici [ex-prefeito petista], outra coisa é substituir Sidnei Rocha. Vai ser muito mais difícil para você do que foi para mim”. Peguei a coisa lá no bueiro e ele pegará uma aceitação muito grande, o que será uma dificuldade para ele. É uma coisa que ele vai ter que administrar.
Comércio - O senhor torce para que o Alexandre seja melhor que o senhor?
Sidnei Rocha - Torço, torço. Depois de tudo que passei na vida, ficar 18 anos fora, “o defuntão que ressuscitou na política”, eu vim ser prefeito não por vaidade pessoal, mas por determinação brutal de recuperar minha cidade. Se fosse só pela vaidade, parava nos 70% de aprovação que estava bom demais. Torço, sim, que o Alexandre seja melhor que eu. Não quero ser eterno. Bobagem de quem pensa isto. Os troféus que deveria receber, eu recebi só em vida. Só podia ter um viaduto e colocar o meu nome em vida, já que o viaduto foi tão discutido, né? Vou arrumar uns R$ 10 milhões com o Alckmin para fazer outro viaduto e vou falar para o Alexandre: “põe o meu nome lá, muda a lei (risos)”. Não fiz por vaidade nada disto, fiz porque gosto de Franca. O cara que tem a aceitação que eu tenho hoje, não precisa fazer demagogia. Poderia estar “metidão” dando uma entrevista “vaselina”, sem questionar as coisas, mas não. Se venho aqui, depois de uma eleição vitoriosa, e dou uma pregada de pau em algumas coisas que precisam ser consertadas, estou dando uma demonstração de que continuo preocupado com nosso futuro. O que mais me realizou não foi a obra física, foi a obra espiritual, mental que conseguimos em Franca. O negativismo, aquela chorumela, mudou. As pessoas estão mais otimistas. O maior orgulho que tenho é ter contribuído para a mudança de mentalidade. É uma cidade, hoje, que já tem um pouco mais de espírito vencedor. O clima é outro.
Comércio - O que vai fazer quando deixar a Prefeitura?
Sidnei Rocha - Primeiro, descansar. Depois, vou ver o que fazer. Se for necessário, a minha voz se levantar contra coisas que não concordo, ela vai se levantar. Só quero pedir desculpas às pessoas que citei fortemente. Desculpas, não porque errei, estou certo. Falei as verdades que precisavam ser faladas, acho que eles esperavam um prefeito que viesse aqui contar prosa e dizer “sou o maior, ganhei uma eleição’. Já quero corrigir o futuro. Aquilo que achar que está errado, vou continuar falando. Espero que as pessoas que citei administrem a vaidade, façam uma reflexão, não tentem me condenar, que estarão errando mais uma vez, corrijam certos rumos que têm dado para ser melhor para cidade. Se estiverem pensando que falei só hoje, que eu vou parar, não vou parar, não. Não tenho medo de ninguém, nem de nada. Fiquei oito anos sem falar nada aguentando falatório, aguentando enganação, aguentando um mundo de coisa. Agora, chegou a hora de falar. Daqui para a frente, sai da frente.
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