Regressão de memória


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A novela da TV Globo, Amor Eterno Amor, apresentada às 18h, tem mostrado, em alguns capítulos, cenas e diálogos tratando da regressão de memória como solução mágica para problemas que afligem personagens, logicamente de acordo com os interesses do enredo que lhe imprime o autor.

Alguém, inadvertidamente, pode pensar que a regressão de memória seja invenção da Doutrina Espírita com a finalidade de comprovar a existência do espírito e a reencarnação. Não é. Não foi o Espiritismo que iniciou pesquisas com regressão de memória. Não estimula tal expediente assentado na lógica de que não nos importa o passado, mas o presente, na condição de base para a realização de nosso futuro.

No final do século XIX e começo do XX, o engenheiro Albert de Rochas, na França, fez pesquisas nessa área e chegou à conclusão de que podemos acessar nossa memória de vivências anteriores.

Em meados do século XX, nos Estados Unidos, psicólogos e psiquiatras, não espíritas, se dedicaram ao estudo e chegaram às mesmas conclusões. Conquanto não seja objeto de recomendação doutrinária espírita, e nem invenção do Espiritismo, tal possibilidade é estudada sob enfoque científico no corpo da Doutrina.

Embora se trate de uma possibilidade corroborada pela ciência, a prática da regressão de memória não deve ser habitual e nem realizada a título de mera curiosidade ou passatempo. Absolutamente! O recurso da ‘regressão’ só se deve aplicar em casos – raríssimos – sem outras soluções, e aconselhado e operado por especialistas da área, que podem ser espíritas ou não, porém, conhecedores das questões do espírito. Não é, portanto, o paciente quem deve decidir ao seu talante, como a novela faz crer.

Um esclarecimento que reputamos de suma importância é o de que ‘regressão de memória’, ou ‘a outras vidas’, ou, ainda, ‘a vidas passadas’, a TVP, como é mais conhecida por sua sigla, não faz parte da metodologia do Espiritismo de Kardec. Tal atividade jamais constará das tarefas da casa espírita. Até porque, se as Leis da Vida nos impedem de lembrar de vidas anteriores, como já dissemos, é porque devemos realizar as experiências atuais como fator de progresso moral a nos propiciar a felicidade que buscamos. Não que não haja quem se lembre até de detalhes de outras vidas, mas são casos excepcionais, como que a nos revelar a existência do arquivo do nosso passado.

Lembremos do filme Minha vida em outra vida, evidenciando a lembrança espontânea de outra encarnação. Quem não viu o filme, vale a pena ver para compreender o processo e certificar-se da possibilidade de sabermos quem fomos. A obra se baseia em fato real e sabe-se que seus produtores e diretores não são espíritas!

A regra é que nos esqueçamos o que se passou e esforcemo-nos na qualificação da semente que agora lançamos, cujos frutos haverão de nos fazer felizes.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Idefran - Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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