Se olharmos para o cenário mundial, vamos perceber que a crise econômica de 2008 ainda não se disseminou totalmente. A Europa segue cambaleante, com alguns países em situação bastante difícil. Os EUA, a despeito de sua força econômica, também não conseguiram se recuperar de maneira plena, o que obviamente causa preocupação em boa parte do mundo globalizado.
No que diz respeito ao Brasil, a famosa ‘marolinha’ do presidente Lula parece ter se confirmado, pelo menos até agora. O país enfrentou a crise com certa tranquilidade e sua economia continuou firme no caminho do crescimento. No entanto, apesar de calma, a ‘marolinha’ parece insistente. Também não se desfez completamente e continua preocupando nossos analistas e nossas autoridades.
A página de economia do Comércio, publicada na terça-feira, 23/10, mostrou que o número de endividados cresceu quase 10% nos últimos 12 meses, uma situação que ainda não é alarmante, tendo em vista a conjuntura econômica do país, mas que preocupa bastante se nos detivermos com mais atenção em seus aspectos estruturais.
Se por um lado continuamos crescendo, puxados pelo consumo ainda intenso das classes de baixa renda, por outro ainda não fizemos as reformas necessárias para que essa ascensão e esse consumo se concretizem de forma natural. E se compararmos 2012 com anos anteriores, vamos perceber que a economia já não gira com a mesma velocidade e a mesma consistência.
De forma geral, o grosso de nosso consumo continua ancorado em subsídios governamentais e talvez não se sustente no longo prazo, já que a distribuição de renda no país encontra-se ainda bastante concentrada nas mãos de poucas pessoas. Redução de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), programa Minha Casa, Minha Vida, redução drástica de juros, tudo isso movimenta as pessoas em direção ao consumo e ao consequente endividamento, mas não lhes proporciona uma elevação em seus ganhos, o que pode provocar uma queda abrupta dessa movimentação econômica em um curto espaço de tempo.
No fundo, parece que estamos agindo na superfície, mais preocupados com a aparência do que com a realidade. Na ‘foto’, aparecemos como um país forte e saudável, mas nosso calcanhar ainda se assemelha ao de Aquiles, o que nos torna vulneráveis. Na mesma linha de Fernando Henrique Cardoso e Lula, Dilma Rousseff também não parece ter chances de aprovar as reformas estruturais que se fazem necessárias.
O que falta, no fundo, é vontade ou coragem política para realizá-las. Porém, é preciso que nossas autoridades entendam que a melhor forma de atender às demandas sociais e ascender ao conjunto dos países desenvolvidos é garantir a continuidade do crescimento econômico, o que só acontecerá de forma concreta e consistente quando tivermos instituições fortes e respeitadas, que se utilizem de instrumentos, políticas públicas e processos inteligentes e democráticos.
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