Para um país essencialmente católico como o Brasil, a indissolubilidade do casamento sempre foi vista como algo natural. As separações, quando aconteciam, eram bastante estigmatizadas pelo conjunto da sociedade, prejudicando sobretudo às mulheres, que passavam a ser vistas como ‘largadas’, e às crianças, que eram marcadas como filhos de pais separados.
Nesse contexto mais fechado de proibições, o divórcio era bastante complexo. Até 2010, quando a Emenda número 66 eliminou o requisito da separação, os casais que desejavam se divorciar precisavam estar judicialmente separados por mais de um ano ou provar que já não moravam juntos por mais de dois anos, o que obviamente desestimulava esse tipo de separação.
Mas, nesses últimos anos, parece que as coisas mudaram bastante. Por um lado, o número de divórcios explodiu. Por outro, o de casamentos cresceu em um ritmo bem mais lento. Em Franca, por exemplo, mais de 12 mil pessoas declararam-se divorciadas em nossa cidade, de acordo com dados do Censo 2010 publicados por este Comércio na terça-feira, 23/10, um acréscimo de 124% em relação aos dados obtidos no Censo 2000. Em relação ao casamento, quando comparados os dois Censos, percebe-se um acréscimo de apenas 10%.
Desses números, é possível deduzir que se antes a separação ou o divórcio eram atitudes que estigmatizavam, uma espécie de desafio que apenas alguns poucos se dispunham a arriscar, agora eles estão bem mais acessíveis à maioria das pessoas, sem estigmas ou preconceitos.
Isso, obviamente, é muito positivo, a despeito das questões de crença e de fé que ainda permeiam essas decisões, geralmente complexas e difíceis de serem explicadas. De qualquer modo, é importante que em pleno século XXI, com tantas transformações vivenciadas por nossa sociedade, as pessoas tenham agora a liberdade de escolher com quem querem viver até o resto de suas vidas, sem ter a necessidade de manterem um casamento já acabado por conta de meras convenções sociais.
Se olharmos por um determinado prisma, vamos perceber que no mundo de hoje, no qual a mulher desempenha um forte protagonismo nos âmbitos da política e da economia, o casamento de fachada torna-se cada vez mais impossível de ser sustentado, porque a mulher já não aceita mais o jugo masculino com a mesma docilidade com que era obrigada a aceitar há algumas décadas.
Nesse sentido, separações e novas uniões, desde que concretizadas com civilidade, respeito e responsabilidade são questões que deveriam dizer respeito apenas àqueles que as vivenciam, sem o menor espaço para estigmas ou preconceitos.
E ao que parece, é o que está acontecendo.
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