“Então, ele disse: O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o justo e ouvires uma voz da sua própria boca, porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido” (AT. 22:14-15).
A incumbência dos apóstolos
O ministério dos doze apóstolos deu continuidade ao ministério do Senhor na Terra, iniciando-se entre os judeus. A incumbência de Deus, porém, era levar a salvação a todos os homens (Mt. 28:19). Pedro, antes de ir à casa de Cornélio, teve uma visão (At. 10:9-16), e viu que a salvação era também para os gentios (11:18). Mais tarde, o Senhor levantou o apóstolo Paulo, que antes prendia os que invocavam o nome do Senhor. Quando estava a caminho de Damasco, uma grande luz o iluminou e ele ouviu: “Saulo, Saulo por que me persegues?” (22:7). Ele certamente deve ter pensado: “Como? Eu perseguindo alguém que está no céu?”, e perguntou: “Quem és tu, Senhor?”. Este lhe respondeu: “Eu sou Jesus, o Nazareno,a quem tu persegues” (v.8). Isso deixou claro para ele que perseguir os que invocam o nome do Senhor é perseguir o próprio Senhor.
Na vida da igreja temos a prática de invocar o nome do Senhor é o mesmo que declarar nossa total dependência Dele e a necessidade que temos de recebê-lo como nossa vida. É uma Espécie de respiração espiritual. A respiração física é algo tão espontâneo! Numa condição normal, não precisamos nos esforçar para respirar. Da mesma forma, invocar o nome do Senhor deve ser o nosso viver, um hábito saudável para nós. Depois de aparecer a Paulo, o Senhor já poderia ter-lhe dito o que fazer, contudo quis que ele tivesse uma experiência adicional, isto é, procurou levá-lo a ter contato com os membros do Corpo de Cristo, a igreja, por isso lhe disse:
“Levanta-te, entra em Damasco, pois ali te dirão acerca de tudo o que te é ordenado fazer” ( v. 10). O Senhor deu a Ananias, um membro da igreja em Damasco, uma visão. Ele recebeu a visão, foi até Saulo lhe deveria levar luz aos gentios, afim de salvá-los: “O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o justo e ouvires uma voz da sua própria boca, porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido” (vs.14-15). O Senhor assim deu-lhe esse ministério de lavar a salvação aos gentios.
Ananias também lhe disse: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele” (v. 16). Aleluia! Paulo, que antes perseguia e prendia os cristãos, agora invocou o nome do Senhor, foi batizado e introduzido no Corpo de Cristo, que é a igreja. Era como se o Senhor lhe dissesse: “Você agora é alguém da igreja, sua obra está ligada à igreja”. Paulo não devia pensar que a visão que mais tarde receberá do terceiro céu não tinha relação com a igreja. Pelo contrário, ele era alguém que pertence à igreja, um membro do Corpo de Cristo, e assim deveria testemunhar. Como membro, ele necessitava de todos os outros membros, até mesmo dos mais fracos.
A partir daí, Paulo teve um ministério dado pelo Senhor, o qual lhe foi comunicado por meio de Ananias. O ministério dos primeiros doze apóstolos foi dado pelo Senhor; a palavra que falavam era resultado do que aprenderam nos três anos que estiveram com Ele. Nesse tempo o Senhor não os ensinou como se ensina numa escola nem os treinou como num exército. Antes, o Senhor Jesus dirigia os discípulos de uma forma muito viva e prática, e não de maneira teórica. Após a morte e ressurreição do Senhor, o Espírito lembrou os discípulos de tudo o que o Senhor lhes falará estando com eles. Mais tarde, depois dos doze primeiros apóstolos, Paulo foi levantado, aperfeiçoado pelo Senhor e as palavras de seu ministério vieram diretamente do terceiro céu (2 Co 12:1-4). Apesar de haver diferença entre o modo como os doze receberam a Palavra e como Paulo a recebeu, todos são parte do ministério neotestamentária.
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