Supertempestade Sandy ‘prende’ francanos nos Estados Unidos


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 Centro da pequena cidade de OAK Bluffs, na ilha de Martha’s Vineyard, fica inundado. Francana Vani Pessoni, que reside no local há 13 anos, disse que cidade teve sorte
Centro da pequena cidade de OAK Bluffs, na ilha de Martha’s Vineyard, fica inundado. Francana Vani Pessoni, que reside no local há 13 anos, disse que cidade teve sorte

A supertempestade Sandy que chegou na segunda-feira, 29, à Costa Leste dos Estados Unidos está obrigando milhares de americanos e brasileiros residentes na América do Norte a se trancar dentro de casa. Os eventos climáticos extremos, como chuva, neve e ventos de até 130 km/h, provocaram a interrupção do transporte público, cancelamento de voos e o fechamento de escolas e empresas. E há francanos testemunhando o desastre ambiental.

A designer de Franca Maria Paula Carrera, 23, está em Nova York com a família, em uma viagem de negócios. Ela disse que só ficou sabendo sobre a tempestade quando chegou aos EUA. “Chegamos a Nova York, às 22 horas (horário local) e fomos para o hotel. Trabalhamos o sábado todo. Só percebemos o que estava acontecendo no domingo de manhã.” Segundo a designer, as lojas da ilha de Manhattan - normalmente cheias de gente - estavam fechadas e a comunicação já começava a falhar. “Como uma medida de precaução, compramos água, líquidos e algumas comidas, mas estamos no hotel o dia todo. Estamos falando no telefone e usando a internet pelo computador, no entanto, o sinal está muito fraco e toda hora (a rede) cai.”

No final da noite de segunda-feira - quando a tempestade mostrava sua força e poder de destruição em Nova York -, foi que a jovem ficou assustada. “Começou a ventar muito. Um vento que eu nunca vi na minha vida. Estar na rua agora é correr risco (de morte) mesmo. Vi, pela janela do hotel, umas placas (de trânsito) caindo.”

A família tinha uma passagem de volta para o Brasil marcada para as 21 horas de terça-feira, mas foi cancelada pela empresa aérea. “A dificuldade no transporte é grande. Pessoas que não conseguem ir embora (da cidade), outras que não conseguem chegar. Ontem mais de 1.500 voos foram cancelados. Na verdade, estamos em stand by mesmo, esperando para ver se conseguimos ir embora para o Brasil.”

Para quem já mora em solo americano, o jeito é torcer para o ciclone passar e, de preferência, causando o menor estrago possível. A francana Vani Pessoni, 38, mora há 13 anos na ilha Martha’s Vineyard, residência de verão do presidente Barack Obama. Ela trabalha no setor de registro de emergências no único hospital da cidade. Segundo ela, os danos causados pela tempestade foram bem menores do que em Nova York e New Jersey. “Ontem (segunda-feira) parecia que o mar iria invadir a ilha, mas hoje, tirando a sujeira nas ruas, está tudo calmo e o sol já está querendo aparecer. Diferente de outros lugares, tivemos sorte aqui.”

Em Washington DC, o gerente de instalações em internet, Jeferson Santos, 36, disse que a situação foi mais difícil antes da tempestade chegar. Ele explicou que todas as pessoas correram para o mercado e logo o estoque de água e mantimentos básicos sumiu das prateleiras. Postos de combustível também ficaram sem gasolina e o receio pela falta de energia elétrica fez com que muitos comprassem geradores a diesel. Em poucas horas acabou tudo. “Acabei de chegar da rua e o único problema que estamos tendo agora é com relação aos órgãos públicos, que ainda estão em alerta e continuam sem trabalhar. Bancos, escolas, creches e até mesmo alguns hospitais estão fechados. Isso sem contar o transporte coletivo, que também não está funcionando. Enfim, ainda está tudo parado por aqui”, disse Santos na tarde de ontem.

O gerente de instalações é natural de Franca e mora há cinco anos nos Estados Unidos. Ele afirma que já passou por eventos climáticos mais complicados. Em fevereiro de 2010 uma nevasca atingiu a região e matou duas pessoas. Outras 200 mil ficaram sem luz. “Eu estava aqui na nevasca e também no Furacão Irene (em agosto 2011), e foi bem pior. O problema deste furacão (Sandy) é que ele tem um volume muito grande de água, por isso, os piores lugares são aqueles perto do litoral ou de grandes rios.”

Sandy é uma tempestade extratropical, com ventos de 130 km/h e deslocando-se a 37 km/h. De acordo com o Centro Nacional de Furacões de Miami, a tempestade atingiu o solo dos EUA às 22h04 (horário de Brasília) de segunda-feira.
 

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