A juíza do Trabalho de Franca, Ana Maria Garcia, decidiu dar mais 10 dias para que a atual diretoria do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais dê início a um novo processo de eleições. Caso não cumpra a determinação judicial, o presidente da entidade, José Nhozinho Sales Ramos, pagará do próprio bolso uma multa diária de R$ 5 mil.
Durante uma audiência realizada na última quinta-feira, na 2ª Vara do Trabalho de Franca, estiveram presentes o líder da chapa de oposição Luiz Fernando Nascimento e seu advogado Tony Rocha. O presidente não compareceu, mas enviou o advogado Luiz Mauro de Souza. “Nós entramos com uma petição comunicando ela (juíza) que a diretoria do sindicato não havia cumprido o prazo de 20 dias, exigidos pela Justiça”, disse Nascimento.
A juíza não só acatou a petição, como também determinou que até sexta-feira, 3, seja nomeada pelo sindicato uma Comissão de Eleições. Se isso não acontecer, seu presidente poderá pagar a conta sozinho, já que uma cláusula do documento estipula que a multa deve ser paga com patrimônios de Nhozinho e não da entidade. Para que haja novas eleições, basta uma deliberação de seu presidente. “Ele (presidente) não compareceu à reunião. Pelas informações dadas pela advogada (Romilda Benedita Boneti), ele estava viajando para São Paulo e só volta na segunda-feira, 29.”
Se insistir em não realizar novas eleições, o presidente do sindicato poderá ser afastado, temporariamente, e ser substituído por uma pessoa - escolhida pela Justiça - que irá organizar o processo eleitoral. “A Justiça é que irá fazer as eleições. Ela vai intervir, diretamente, no sindicato para que seja montada a comissão eleitoral e a eleição aconteça. Nós sugerimos que ela aconteça nos dias 3, 4 e 5 de dezembro.”
O imbróglio envolvendo a escolha da nova diretoria do sindicato para os próximos quatro anos (2012 a 2016) começou no ano passado, quando a eleição foi remarcada por falta de eleitores suficientes. Em janeiro, um novo pleito foi realizado e Nhozinho, representante da chapa 1, foi reeleito para a presidência da entidade com 502 votos contra 188 da chapa 2, liderada por Nascimento.
O grupo perdedor questionou a forma como os votos foram contados e alegou que seus concorrentes haviam modificado as cédulas e falsificado as assinaturas dos funcionários públicos. Feita a apuração dos votos, após uma discussão acalorada, que resultou até em agressão a sindicalistas e jornalistas, Nascimento decidiu entrar com uma representação formal contra o sindicato.
No mês passado, a eleição foi impugnada pela Justiça que julgou procedente a reclamação da chapa derrotada.
O Comércio tentou entrar em contato, várias vezes durante a tarde de ontem, com o presidente do sindicato, José Nhozinho Sales Ramos, e com a advogada Romilda Benedita Boneti, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.
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