Apesar do Brasil viver atualmente com baixas taxas de desemprego e escassez evidente de mão de obra qualificada, os jovens entre 18 e 25 anos ainda encontram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, principalmente os 5,3 milhões que compõem a geração dos “nem-nem”, assim chamados aqueles que nem trabalham e nem estudam.
Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), baseado em dados do IBGE, mostram que nesse grupo já estão 19,5% dos 27 milhões de pessoas dessa faixa etária.
O dado é preocupante porque mostra que esses jovens não estão em busca de qualificação e não conseguem enxergar a educação como um benefício prático para suas vidas no futuro.
A situação é ainda mais complexa para as mulheres, que permanecem mais tempo em casa que os rapazes: 3,5 milhões ante 1,8 milhão.
Uma das causas para esse quadro é a baixa procura pelo ensino médio no País. Pelo menos 50% dos jovens que já atuam no mercado de trabalho ainda não completaram os três anos do antigo 2.º grau.
E se pensarmos em termos de renda, os que mais sofrem com a situação são os mais desfavorecidos: 46% estão entre os 10% mais pobres da população, com renda per capita de apenas R$ 77,75.
A conta torna-se ainda mais complicada no instante em que o País comemora anos de estabilidade econômica. A situação permite que uma parcela dessa população consiga respaldo familiar, sem que busque sobrevivência na criminalidade.
Mas se a crise internacional se agravar, o que pode acontecer com esses jovens?
Nações como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, nas quais a crise internacional se intensificou nos últimos anos, estão deixando uma herança perigosa à juventude que não consegue se inserir no mercado, mas não por falta de qualificação, e sim pela ausência de postos de trabalho, diferentemente do que acontece hoje no Brasil: sobram vagas, mas falta gente qualificada para assumi-las.
Para que esses jovens possam ter um futuro digno, que se insiram com mais qualidade no mercado de trabalho e saiam da desocupação, diminuindo o contingente da geração “nem-nem”, é necessário investimentos no ensino básico. Mostrar que é pela educação que eles podem ascender socialmente.
O estágio ou aprendizagem podem ser instrumentos facilitadores da permanência dos estudantes no ensino médio, não só pela bolsa-auxílio, mas pela importância de aprender na prática uma profissão.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da Fiesp
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