Existe criatura mais controversa que o jovem? Confesse que é relativamente impossível traçar um perfil que represente exatamente como essa faixa da população funciona. Isso porque cada uma destas almas ainda não sabe exatamente o que quer. Em um dia eles podem amar a banda One Direction e no outro começar a escutar Mozart, por exemplo. São inúmeras vertentes comportamentais que impossibilitam qualquer estudo mais profundo.
Apesar de todas essas diferenças, existe uma coisa que une a grande maioria deste povo que é a indiferença política. Seja por chatice ou descrença, a verdade é que esse assunto passa muito longe das rodas de conversa dessas pessoas.
Para mudar este quadro, em 1999 a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo instituiu o Parlamento Jovem, uma espécie de competição voltada para os estudantes com o objetivo promover a inserção, elucidação e convivência de jovens estudantes com o meio político. Alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares podem participar.
A ideia é simples. Tendo como base 12 temas, os alunos tinham que desenvolver algum projeto de cunho social e enviar para a organização. Dos milhares de alunos que estão cursando o ensino médio no Estado, foram escolhidos apenas 94 e, advinha, três deles são francanos! Isso quer dizer que nos dias 8 e 9 de novembro, eles vão para São Paulo e se reunirão no Palácio 9 de Julho, sede da Assembleia Legislativa do Estado. Lá, eles se sentarão nas cadeiras usadas pelos Deputados Estaduais e, com o auxílio da Casa, vão transformar seus projetos em verdadeiros Projetos de Lei. É muita moral.
Moral que deixa Gabriel Teles da Silva, 14, aluno da E.E. Agostinho Lima de Vilhena (Jd. Noêmia) muito feliz por ser escolhido. “Minha ideia é a de criar uma espécie de depósito social. Ao invés de jogar fora um móvel, por exemplo, este depósito guarda e dá para uma pessoa mais necessitada. Basicamente é isso”, explica Gabriel que está na oitava série. “Fiquei muito feliz por ter sido chamado. Tenho certeza que será bem legal”, diz. E, apesar de gostar de política, ele não sabe se pretende seguir carreira nesta área. “Sou estagiário na Prefeitura (Assistente Social) e fico muito em contato com este mundo. Mas ainda não sei se quero isso pra mim”.
Dúvida que também acomete Juliana Paula da Silva, 18, que estuda na E.E Professor Evaristo Fabrício (Jd. Aeroporto). “Gosto muito de política e tento acompanhar tudo de perto, ir à Câmara e sempre de olho no jornal, mas ainda não sei o que fazer depois que acabar a escola”, afirma Juliana, que está no último ano desta etapa. “No meu projeto tratei sobre a questão dos agrotóxicos. Tentar incentivar as empresas a criarem produtos menos nocivos, informar a população sobre os riscos destes produtos e também incentivar os pequenos produtores que usam tal substância, por exemplo”. A jovem francana nunca visitou a capital do Estado e se diz nervosa por fazê-lo. Já Gabriel conhece e garante que a Capital do Calçado é bem melhor. “Muito mais tranquilo”, resume. A última estudante selecionada foi Stefany Vitória Dal Sasso, 13, que fez um projeto sobre Direitos Humanos, mas sua escola, a E.E Professora Ana Maria Junqueira não quis passar os contatos da jovem.
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