Francana, memórias - I


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As comemorações e a divulgação do centenário da A. A. Francana estão acontecendo, mas é preciso enfatizar que cem anos são cem anos e quem chega a eles só pode se orgulhar. Oscar Niemeyer chegou aos 104 e todos nós, brasileiros, estamos contentes com essa dádiva, deixando nosso arquiteto maior mais famoso e mais tempo conosco, seus contemporâneos.

Com as instituições é a mesma coisa. Queremos que sobrevivam, que se atualizem, que prestem os serviços que seus idealizadores/criadores imaginavam que elas deveriam prestar e que honrem a memória de cada um desses visionários. O Comércio da Franca é uma dessas instituições prestes a fazer cem anos, e está mais do que moderna e plenamente a serviço da coletividade a que serve.

Não foi diferente com nossa querida Associação Atlética Francana, fundada em 12 de outubro de 1912. No entanto, acredito que a história do clube do coração dos francanos deveria ser mais difundida, mais alardeada, ampliada. E sem o tom um pouco negativista que depreendi da leitura de alguns textos publicados.

Quem chega aos cem anos não é perdedor de jeito nenhum. Pode não ser Alexandre, o Grande, mas vem desempenhando seu papel – com alguma dificuldade, é certo – cumprindo os desejos dos seus poéticos idealizadores.

Aliás, é bom que se diga que a própria ONU, um monumento a serviço da paz mundial e do progresso das nações, tem dificuldades para levar adiante sua tão desejada missão em todos os cantos do mundo.

Na sua existência, nossa Francana tem vivido altos e baixos, como qualquer entidade, mas, a seu favor, pode-se dizer que está bem guardada (e protegida) nos nossos corações. Permitam-me, com um pouco de saudade, reverenciar seus fundadores e ela própria nessas reminiscências.

Despertei para a afeição ao meu clube por volta dos meus oito anos. (Não estou pensando em Casimiro de Abreu, não!).

Morava eu na Rua Nuno Alberto e, depois das aulas do curso primário lá no Grupo Escolar ‘Cel. Francisco Martins’, empreguei-me, por artes de minha mãe, como ajudante de balcão e entregas de um pequeno armazém localizado na esquina das ruas Major Claudiano e Simão Caleiro.

Misto de armazém e bar naquele fim dos anos 40, neste estabelecimento de propriedade de Alfredo Coraucci, pai do escritor francano Carlos Coraucci, se reuniam aficionados do futebol para comentar o desempenho e os fatos relacionados com o futebol da cidade. Eu assistia tudo aquilo entusiasmado, emocionado.

Naquela época e até muitos anos depois, William Salomão, de quem Coraucci era muito amigo, comandava o programa esportivo da rádio local.

Daí nasceu uma saudável parceria entre os dois para analisar o esporte bretão, sobretudo aquele jogado no então Estádio da Bela Vista.

Achando-me extremamente importante, eu era o feliz encarregado de levar a crônica escrita (à mão!) por Coraucci para ser lida no programa ‘Esportes B5’ por Salomão. Tenho bem gravado o nome desses comentários: ‘O jogo que eu vi’.

Ali, no pequeno armazém-bar, travei conhecimento com o esquadrão mais famoso e mais querido por mim e por muita gente da época, o time de 1948: Marreco, Antero e Amaury; Tutti, Gonçalves e Eca; Tim, Tidão, Tonho Rosa, Luizinho Rosa e Canhotinho. (Continua na próxima quarta-feira...)

Vicente de Paula Oliveira
Francano, ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento do Estado, economista e professor

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