É frustrante! Contei, pelo menos, sete colunas sobre o mercado francano de combustíveis, que escrevi nestes meus cincos anos de Comércio da Franca
Nelas, orientei consumidores a pesquisar preços, comprar do posto que vende mais barato. Teve momentos, como há dois meses, em que pensei que havia surtido efeito, mas não. O preço permanece por alguns dias reduzido e, por meses, elevado. A luta é inglória. Quem dita o patamar mínimo de preços é a distribuidora. Então, se a distribuidora de combustíveis vende álcool no atacado a R$ 1,45 em média – como na última semana em pesquisa da ANP –, não tem como o posto vender o combustível a menos de R$ 1,60.
A verdade é que na semana passada, o álcool era vendido em média a R$ 1,77, sendo o preço mínimo R$ 1,74 e o máximo, R$ 1,79. Ou seja, há uma diferença mínima de R$ 0,05!
Por mais que os consumidores pesquisem preços para comprar no posto que vende mais barato, a diferença não é tão grande a ponto do posto sentir o baque! Então, neste caso pesquisa de preços não influencia.
Por último, e determinante: quem domina a relação predatória é o fornecedor. O consumidor fica submetido às determinações dos postos. O posto coloca o preço que quer, até porque preço é liberado no Brasil. Baixam quando lhes interessa manipular para que algum posto que tenha fugido do alinhamento, volte a cobrar valor alto.
Assim, preço fica baixo por determinado período, como forma de dar recado ao posto que reduziu preço sozinho e se desgarrou do esquema.
Vale até trabalhar com prejuízo, mas o importante é forçar o posto rebelde a retornar seu preço ao patamar dos outros. Assim, o esquema se perpetua e os consumidores ficam totalmente impotentes, à mercê desse desatino.
Estou desanimado, mas deixo claro que não fugi da luta, não desisti. Precisamos, consumidores, nos unir, e pensar alternativas para reduzir preços. Uma coisa é certa: a questão dos preços é macro, nacional, e não apenas local. Quem sabe, com a força do pensar em grupo, possamos produzir alternativas. Estou aberto a receber sugestões. Escrevam!
FUSÃO PREOCUPANTE
Este Comércio noticiou, com exclusividade, que a fusão entre os Hospitais Unimed e Regional, preliminarmente, não teria sido aprovada pelo CADE. Tal notícia é, no mínimo, preocupante. Se havia temor de elevação de preços nos planos, o CADE, que avalia a concorrência, constatou exatamente essa possibilidade. O maior entrave para aprovação de qualquer fusão é o domínio que a empresa resultante da fusão vai ter sobre o mercado. No caso de Franca, a nova empresa terá algo próximo de 100% do mercado de planos de saúde. Esse domínio, em médio prazo, pode se traduzir, sim, em elevação de preços. Vamos continuar acompanhando o que CADE vai determinar para o caso.
PETROBRÁS: REAJUSTES
De acordo com informações da Agência Brasil, o esperado reajuste de combustíveis para depois das eleições municipais deve ser adiado para 2013. A agência divulgou que o adiamento se deve à alta da inflação e ao impacto que um aumento nos combustíveis pode ter sobre os custos das empresas.
POLÊMICA DO 0800
A coluna da semana passada gerou diversos comentários de leitores. A maioria, concordou sobre o que escrevi sobre os ‘0800’. De alguma forma, todos, mais cedo ou mais tarde, passam ou passarão por vexame parecido ao que vivi. Meu amigo colunista Toninho Menezes também abordou o assunto com maestria em nota de sua coluna de domingo. Agradeço as manifestações.
ANATEL MULTA
De acordo com o portal Telesíntese, o conselho diretor da Anatel aplicou multa no valor de R$ 8,3 milhões à Embratel por descumprimento de itens do Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ). A empresa não complementou chamadas, atendeu reparos em prazo superior ao estabelecido e praticou erros na cobrança de serviços. O mesmo conselho também multou em R$ 4,4 milhões a Oi por não instalação de telefone público em localidades mineiras com mais de 100 habitantes. Por fim, aprovou sanção à CTBC, no valor de R$ 996 mil, por conduta omissiva e negligente ao não tomar cuidados que resultaram em habilitações fraudulentas de terminais telefônicos. Três usuários tiveram suas reclamações consideradas procedentes pelo Call Center da Anatel. Cabe recurso administrativo à CTBC.
MULTA POR PROPAGANDA ENGANOSA
Sete empresas fabricantes de televisores de plasma foram multadas em R$ 5 milhões na última segunda-feira por publicidade enganosa. A multa, aplicada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, foi devido ao fato das empresas não prestarem informações claras a usuários, sobre a qualidade de imagem anunciada na propaganda. Além disso, não era informado aos clientes que o produto poderia apresentar manchas na tela caso fosse utilizado de forma ininterrupta durante longo período. Cabe recurso.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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