O bebê de três meses entregue à Polícia Militar na última segunda-feira pela dona de casa INO, 22, deverá ficar com a avó da criança, que mora em Barretos (SP). A informação é do Conselho Tutelar, que foi acionado na ocorrência e encaminhou o bebê a um abrigo provisório. “Nós acolhemos o bebê, entramos em contato com os familiares da mãe, e agora a criança aguarda a vinda da avó a Franca”, disse a presidente do Conselho, Gláucia Limonti.
De acordo com Gláucia, a avó pediu um prazo de poucos dias para organizar a documentação de seu veículo e vir buscar a criança. Em Franca, a mãe e seu namorado, pai da criança, ambos usuários de drogas, tinham o auxílio de uma mulher para criar o bebê. O Conselho Tutelar pretende ainda entrar em contato com a Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino) para tentar um tratamento para INO. “Vamos conversar com ela para ver se conseguimos interná-la.”
A reportagem procurou pelo casal na tarde de ontem, e o encontrou voltando de um bar próximo à casa deles. A mãe da criança abandonada e o namorado confirmaram que tiveram uma briga e que INO havia ligado para a polícia. “Agora, no momento, a gente não tem condições de ficar com o bebê. A gente vai organizar a casa certinho para ter um lugar melhor. Vamos ver o que vai dar, porque essa casa não é nossa, é do pai dele”, justificou a dona de casa.
O casal disse ainda que também moravam na casa dois irmãos e uma cunhada do pai da criança. Em agosto, uma briga com os irmãos resultou no atropelamento de pai, que quebrou uma perna e teve que se afastar do trabalho. Os irmãos e a cunhada abandonaram a casa e levaram diversos móveis e eletrodomésticos do local. “Levaram as coisas embora e ficou tudo complicado. Antes, quando a INO estava grávida, nós chegamos a ficar seis meses sem água e sem luz. Eu trabalhei, consegui pagar as contas, eles foram embora e levaram as coisas. Agora vai ter uma audiência com meus irmãos pra ver o que resolve”, disse o pai da criança.
O casal assumiu que é usuário de crack. Durante a gravidez, INO chegou a procurar ajuda na Câmara Municipal. “Fui na Câmara pedir ajuda, falei que eu estava querendo sair da droga e tudo, porque deu aquela doença em mim, toxoplasmose. O médico falou que o bebê podia nascer cego, e aí eu pensei: ‘bom, vou parar né?’. Aí mandaram a gente para a ação social e ajudaram a gente. Foi quando o meu namorado conseguiu o emprego.”
Coletor de lixo de fábrica, o rapaz diz que recebeu um salário do INSS e está reorganizando a casa. “Já compramos fogão, gás, vai chegar geladeira e guarda-roupa. A gente quer que o bebê volte, a gente chora de saudade dele”, disse.
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