Dizem que vivemos em tempos em que a liberdade intelectual e o respeito ditam as regras da sociedade. As minorias conquistaram seu espaço em meio a elite. A internet diminuiu a distância entre as pessoas e uma fonte de conhecimento ilimitado e as pessoas estão respeitando as inúmeras diferenças existentes entre elas. Só que não.
Infelizmente a verdade não é essa e ainda existe muito racismo dentro dos lares do planeta. A internet se transformou em uma fonte ilimitada de pornografia e, convenhamos, muita gente começou a xingar quando soube que este Se Liga iria falar do funk, um gênero musical que escancara essa dualidade que domina os tempos de hoje.
“As pessoas julgam toda a cultura do funk por causa de uma pessoa ou de algum grupo que não representa em nada a cena”, explica Thiago Rodrigues Vieira, vocalista do grupo Funk Vai Dance. “A verdade é que a grande maioria dos funkeiros trabalha para ajudar a comunidade, mas isso ninguém fala”.
Apesar de toda a resistência imposta por algumas pessoas, o funk consegue ser uma bela fonte de renda para quem vive dele e uma ótima fonte de diversão para quem gosta das batidas graves e letras afiadas. “Hoje toco exclusivamente funk. E minha agenda é lotada. Geralmente faço apresentações de terça-feira até o domingo e, em todos os finais de semana a casa fica muito cheia”, afirma Dj Lacka, que diz ser o responsável por trazer este estilo musical para Franca. “Foi em 2006, quando passei a tocar funk para o pessoal da periferia. O meu público”, conta Lacka. Hoje é cada vez mais comum shows, festas e eventos abertos terem apresentações com as músicas do estilo. Em uma rápida passada pela agenda noturna na cidade, é possível encontrar cada vez mais festas regadas com muito funk. E os grupos têm se tornado cada vez mais comuns por aqui. Na semana passada, em uma casa de shows, cinco “bandas” estiveram presentes, entre elas “As Preciosas” e o “Bonde das Danadas” “Antigamente eu abria os grandes shows que vinham
para a cidade, então meu repertório era mais eclético. Só que percebi uma resposta muito positiva quando tocava algum funk, conhecido ou não. Resolvi apostar no estilo”.
A galera que curte ir aos bailes funks da cidade é aquela bem característica. “Claro que depende de onde eu vou tocar, mas o público é bem heterogêneo. Vão tanto as pessoas da periferia quanto aquelas que possuem uma condição financeira melhor”, explica Lacka. “Todo mundo só quer dançar e se divertir e o funk consegue fazer isso”. Ainda segundo o Dj Lacka, este estilo musical tem tudo para ficar por muito tempo no mercado. “Tem muita gente boa que se especializou em algum segmento específico, digamos assim. Existe o funk sensual, por exemplo, com letras mais picantes e existe o funk mais social, que serve para dar voz à periferia. Assim a pessoa escuta a que mais lhe agradar”.
SOM DO MORRO
O funk como o conhecemos nasceu nas favelas do Rio de Janeiro durante a década de 1980, buscando sua essência em ritmos de música negra, como o soul, freestyle e Miami Bass. Apesar do nome, o nosso funk não tem nenhuma relação com o funk americano, estilo usado pela banda Red Hot Chilli Peppers, por exemplo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.