A pespontadeira Elaine Cristina Siqueira, 33, se casou aos 14 anos de idade. Da união nasceram dois filhos, Thales, 18, e Tauã, 16. Elaine e o marido moravam na casa da mãe da pespontadeira. O casamento, no entanto, terminou após 12 anos. O marido de Elaine constituiu outra família. Para ela, ficou a responsabilidade de criar os filhos e assumir a casa, já que sua mãe era doente e também não podia trabalhar. “Desde a separação, eu trabalhava em pizzarias e restaurantes, para garantir um pouco mais de renda. Ficava fora em alguns períodos do dia e à noite, e minha mãe me ajudava com os meninos”, diz.
Há um ano, no entanto, a situação de Elaine mudou. Com a morte da mãe, ela precisou pedir demissão da pizzaria em que trabalhava, uma vez que não tinha condições de deixar os filhos sozinhos em casa à noite. “Meu filho mais novo, Tauã, é excepcional. Não posso deixá-lo sozinho. Saí da pizzaria e agora trabalho em uma banca de pesponto. Procuro bicos aos finais de semana porque não tenho condições de criá-los somente com o salário da banca.”
Com uma renda que varia entre R$ 800 e R$ 880, Elaine mantém a casa que pertencia à mãe e conta com a ajuda do filho mais velho, que há poucos meses conseguiu um emprego no setor calçadista. O pai dos adolescentes não paga pensão, e auxilia esporadicamente os filhos. Sem conseguir uma vaga na Apae, Tauã, que tem atraso mental, faz acompanhamento com psicóloga particular. “É difícil, mas nós vamos levando. Tenho que assumir a bronca”, diz.
Elaine é apenas uma das 23.720 mulheres de Franca que são chefes de família. O número, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), representa 24,2% do total de 97.741 famílias existentes no município. A proporção condiz com a realidade do resto do país, onde cada vez mais as mulheres assumem a responsabilidade dos lares brasileiros.
De acordo com o sociólogo Murilo César Soares, a presença da mulher como chefe de família deve-se, em grande parte, ao aumento do número de divórcios e separações no país. “As separações hoje em dia são cada vez mais comuns. Antigamente, quando isso acontecia, a mulher voltava para a casa dos pais. Isso é cada vez mais raro. Elas preferem seguir em frente e manter a família”, explica.
A inserção da mulher no mercado de trabalho também influencia na hora da decisão de se tornar responsável pelo lar. “A mulher tem condições suficientes de arcar com as despesas da família. Além disso, é preciso considerar também o número de mulheres sem filhos que vivem sozinhas e aquelas que optam por formar família sem a presença do pai”, conclui.
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