Nova ameaça na saúde


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Se já não bastassem todos os problemas que os francanos enfrentam em relação à saúde, de forma geral, como as constantes ameaças de paralisação dos serviços prestados pela Santa Casa, a demora em conseguir realizar uma cirurgia eletiva e a generalizada falta de médicos nos postos de atendimento municipais, agora também o Hospital Alan Kardec resolveu engrossar essa lista.

De acordo com matéria publicada por este Comércio na quinta-feira, 11/10, o hospital pode fechar suas portas por falta de verbas para sua manutenção. Segundo sua diretoria, há quatro anos que a verba repassada pelo SUS não recebe sequer um pequeno reajuste. Contra um gasto de R$ 100 por paciente/dia, o hospital continua recebendo os mesmos R$ 42, como se os produtos e os serviços comprados durante todo esse período não tivessem experimentado reajustes em seus preços.

Como consequência, as dívidas se acumularam, começando, inclusive, a comprometer o patrimônio de uma instituição filantrópica que é de fundo privado e que se consolidou como colaboradora da saúde em nossa cidade, mas nunca foi (e nem é) responsável por ela.

Mais uma vez, nos encontramos em um beco aparentemente sem saída. A quem recorrer? Ao governo municipal que diz não ter verba e sempre repassa o problema para o Estado? Ao governo estadual, que está continuamente estudando a situação, prometendo e, ao mesmo tempo, sempre protelando uma solução definitiva, como já aconteceu repetidas vezes com a Santa Casa? Ao governo federal, que em véspera de eleições envia algum de seus ministros para dizer que existe muita verba em Brasília e que a culpa por ela não chegar a Franca é do governo municipal?

É difícil saber. No momento em que a ‘vidraça’ se quebra, dificilmente se descobre o dono da bola. Todos se acusam mutuamente e ninguém mais sabe o que faz o município, o que pretende o Estado e onde está o dinheiro da federação.

E para piorar a situação, em nível federal será difícil conseguir alguma coisa. O governo defende a desinternalização de doentes psiquiátricos e o fim dos hospitais especializados, uma política perigosa, polêmica e totalmente prejudicial à saúde da população, uma vez que os hospitais gerais e os centros de atendimento, como o Dr. Janjão, por exemplo, não estão preparados para esse tipo de paciente.

Se realmente o Alan Kardec fechar suas portas para a saúde pública francana, sobrará mais desassistência do que assistência aos doentes mentais oriundos das classes de mais baixa renda, pois muitas famílias não terão estrutura nem financeira nem psicológica para lidar com a situação.

No limite dessa ideologia de desinternalização e dessa falta de atenção de nossos dirigentes municipais e estaduais, muitos doentes mentais ficarão abandonados à própria sorte, muitos deles praticamente jogados na rua.

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