Esse instigante filme, dirigido por Oliver Parker, foi inspirado num clássico da literatura inglesa, o romance homônimo de Oscar Wide, escritor que representa o dandismo, movimento estético surgido no romantismo, cujo ideal consistia no culto à beleza, ao prazer e na quebra da moral burguesa.
Dorian Gray (Bem Barnes), protagonista do filme, é um jovem solitário que ingressa na vida social londrina e começa a viver os percalços dos primeiros relacionamentos amorosos. Sob a influência de Lord Henry Wotton (Colin Firth), um aristocrata cético e hedonista, Dorian adquire um modo de viver marcado por um distanciamento afetivo, um desprezo à alteridade, usando as pessoas apenas como fonte de prazer sexual. Aprisionado à vaidade, estabelece uma relação peculiar com seu retrato, uma pintura que havia sido feita por Basil Hallward (Bem Chaplin), artista que foi ‘fisgado’ pelos encantos do belo jovem. A relação de Dorian com a imagem de si mesmo, revela os aspectos não aparentes, mais obscuros e atormentadores da alma humana.
O Retrato de Dorian Gray, ao ser publicado em 1890, criou polêmica por seu conteúdo homoerótico. De algumas de suas páginas se alimentou a Acusação no processo ( de atentado violento ao pudor) movido pelo pai de Alfred Douglas contra o escritor, que mantinha um caso amoroso com o jovem. Considerado um dos clássicos modernos da literatura ocidental, foi classificado pela BBC como um dos 200 romances em língua inglesa mais lidos no mundo. No prefácio, o frasista Oscar Wilde havia escrito : “Não existe livro moral ou amoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.” As constantes reedições atestam a aceitação pelos leitores da obra de arte, agora levada com sucesso às telas. A transposição da linguagem escrita para a de imagens recebeu da crítica endosso entusiasmado. O diretor, Oliver Parker, é confesso apaixonado pela personalidade e pela obra de Oscar Wilde, tendo dirigido e atuado em peças que levam a assinatura dele. Mergulhar no universo da dramaturgia de Wilde foi uma preparação para as filmagens de Dorian Gray.
Esta sessão de Cinema e Psicanálise é parte integrante da Semana do Médico, promovida pelo Centro Médico de Franca e visa homenagear os profissionais da saúde e também todos aqueles que zelam pela própria saúde mental. Após exibição do filme, no dia 20 de outubro, haverá uma palestra ministrada pela psicanalista Maria Auxiliadora Borges dos Santos, membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. A analista comenta sobre o filme:
“Obra de arte atemporal e infinita em suas possibilidades de apreensão, traz-nos o universo do belíssimo Dorian, chegando a Londres aos vinte e um anos, habitado em seu íntimo por uma alma fragilizada desde seus primórdios de orfandade. Equivocadamente para se ‘fortalecer’ vende sua alma ao demônio, em troca de juventude e beleza eternas. Tema atualíssimo sugere a volta do dandismo no mundo atual, do qual Oscar Wide foi forte representante. A superficialidade, extravagância e descaso com os sentimentos, típicos do caráter do dândi, constituem a contramão à psicanálise como sólido, porém árduo caminho de conhecimento da natureza ambivalente da alma humana, único a promover a integração necessária à conquista da humanização.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.