'Avenida Brasil' chega a seu desfecho na noite desta sexta-feira


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A personagem Nina, de Débora Falabella, gerou polêmica ao trilhar sua vingança
A personagem Nina, de Débora Falabella, gerou polêmica ao trilhar sua vingança

As tramas ácidas têm sido a marca registrada de João Emanuel Carneiro nos últimos anos. Desde de 2000 na teledramaturgia da Globo, o autor tem no currículo títulos como A Muralha, Os Maias, Cobras & Lagartos e A Favorita.

Longe dos romances piegas, Carneiro vem construindo personagens humanizados que fogem do estereótipo de mocinho e vilão, como no caso da extravagante Donatela (Cláudia Raia), de A Favorita, e da controversa Nina (Débora Falabella), de Avenida Brasil. Outro ponto muito bem explorado por ele são as vilãs. Flora (Patrícia Pillar) e Carminha (Adriana Esteves) já entraram para o rol das inesquecíveis, onde apenas grandes megeras assinam seus nomes.

Carminha, aliás, foi o grande destaque de Avenida Brasil, que apresenta hoje seu último capítulo. As reviravoltas articuladas pelas antagonistas renderam uma audiência excepcional à Rede Globo que, recentemente, anunciou em seu plano comercial que cerca de 38 milhões de pessoas assistem, por dia, à novela no País.

Para tentar entender porque a história de vingança da pobre menina que foi abandonada no lixão pela madrasta é capaz de prender um número tão grande de pessoas no sofá, o Comércio conversou com alguns telespectadores assíduos da trama. “Bom, eu gostei da história porque ela é mais realista do que as outras... O fato da ‘mocinha’ ter defeitos e qualidades torna ela mais humana e eu acredito que é exatamente esse o ponto que transformou a novela em um dos maiores sucessos da teledramaturgia no país”, afirma a estudante de jornalismo Ana Carolina Ribeiro. Para ela, o tom agressivo de Nina também é um diferencial. “As pessoas por mais ‘boazinhas’ que sejam, são normais. É a vida, ninguém consegue agradar a todo mundo e o fato da Nina ser vingativa mostra que ela é humana, passível de erros e, mesmo assim, todo mundo torce pra que ela tenha um final feliz. Igual a Carminha. Nesse momento eu entendo as atitudes dela. Não aprovo, mas entendo. A vida dela também não foi um mar de rosas”, defende a ‘vilã cativante’.

Mas a receita de sucesso não ficou restrita ao perfil das protagonistas. Personagens como os do núcleo da mansão de Tufão (Murilo Benício), do lixão e a turma do Divino (bairro fictício da trama) também despertaram sentimentos nos fãs. “Para mim o melhor ator da novela foi o que interpretou o Nilo (José de Abreu). A risada dele é engraçada: Hi hi hi. Ele foi o melhor”, afirma o assistente executivo comercial Fernando Reis.

Mesmo com todo o barulho que a novela tem causado, alguns aspectos deixaram os telespectadores com certa frustração. Um sentimento colateral às grandes paixões. “Como ela (Nina) tira foto e não salva em um pen drive... ou e-mail... idiota isso”, completa Fernando. “A novela conseguiu prender minha atenção em quase toda a sua trajetória. Somente em algumas partes, quando a rodeou demais é que ficou menos interessante. Por exemplo a enrolada que o autor deu na vingança da Nina. E com o Tufão. Por mais devagar que uma pessoa seja, ela não pode ser como o Tufão, quase parando”, argumenta o tatuador João Holosi. A estudante de engenharia ambiental Sara Teodoro concorda que a passividade de Tufão foi uma das partes angustiantes da trama, bem como a tal revanche de Nina. “Eu gostei quando o Tufão descobriu a verdade sobre a Carminha... Não gostei quando a Nina estava tentando se vingar da Carminha e do Max. Foi ridículo aquilo. Ficar fazendo ela trabalhar daquele jeito...A Nina estava ficando má igual a Carminha.”

Entre fãs e avessos, a novela segue para seu fim na noite de hoje e as apostas e burburinhos sobre possíveis desfechos são muitos. “A Carminha vai conseguir se dar bem”, diz Fernando. “Eu acho que no fim a Carminha e o pai dela deviam se dar mal e o restante, como toda novela, ter final feliz!”, propõe João. “A Nina vai ficar com o Jorginho, o Tufão com a Monalisa e a Carminha... vai para a cadeia”, torce Sara. É ver para conferir.
 

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