Tramita na Câmara um projeto que vai decidir a forma de nomeação para diretores de escolas municipais. Depois de um protesto dos professores da rede municipal, que reivindicava participação no processo, marcou-se, então, um plebiscito para que todos pudessem ser ouvidos, decidindo se a nomeação continuaria sendo feita pelo prefeito, se os diretores seriam escolhidos por meio de concurso ou se sairiam de uma votação direta realizada nas escolas.
Até aí, tudo bem. A despeito de todas essas formas de escolha terem seus prós e seus contras, o debate e a participação ativa do cidadão são sempre muito bem vindos. Porém, há uma questão que parece esquecida por todos. Uma questão que, em função dos diversos problemas enfrentados pela educação, de forma geral, e pelas escolas, de forma específica, já deveria ter adentrado o setor educacional, mas que ainda parece longe de preocupar nossas autoridades, e também nossos docentes.
De maneira direta, é possível questionar: os pedagogos estariam capacitados para gerir uma escola nos dias de hoje, tempos em que modernos procedimentos de gestão se fazem cada vez mais imprescindíveis para uma administração de sucesso?
Historicamente, os diretores de escola sempre saíram das fileiras dos educadores. Talvez por sua origem em nosso país ou por terem sido sempre tratadas mais como missão do que como empresa, nossas escolas nunca experimentaram uma administração profissionalizada, ficando geralmente a cargo de algum professor com perfil mais administrativo ou com alguma especialização em gestão escolar.
O problema é que a gestão atual não é tão simples como já foi e os professores do ensino fundamental, em sua imensa maioria, são oriundos de cursos de pedagogia ou de alguma licenciatura, muito distantes das modernas técnicas de gestão que são aprendidas em cursos da área administrativa.
Obviamente, esse questionamento não tem o propósito de desmerecer os belíssimos trabalhos que já foram feitos por vários diretores-pedagogos, nem de menosprezar a capacidade administrativa de ninguém. A intenção é mais simples e construtiva. Busca apenas provocar a reflexão em todos que se importam com o tema.
Se olharmos para a saúde, a irmã siamesa da educação, tanto pelos problemas como pela importância, vamos perceber que o mesmo aconteceu em relação aos hospitais. Anteriormente eles estavam nas mãos de médicos, mas como começaram a quebrar, foi necessário profissionalizar a gestão.
Para além de gestores oriundos de outras áreas, também os médicos começaram a se especializar, fazendo MBA em Administração Hospitalar, um curso que ainda hoje está disponível no mercado.
A educação também poderia seguir esse exemplo. Diretores, ou gestores, devem ser os mais preparados, não os mais votados, ou aqueles que mais se preparam para uma prova de concurso público, a despeito de terem ou não a confiança do prefeito.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.