Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 79 PMs já foram mortos em São Paulo em 2012, um número que é 43% maior do que aquele verificado em 2011. Ainda de acordo com esses dados, as vítimas geralmente são atacadas durante a folga, pegas de surpresa e fuziladas com armas de grosso calibre. Supostamente, os autores desses crimes seriam integrantes do PCC, principal organização criminosa de São Paulo.
Mas o Governo do Estado nega a existência desse suposto conflito, ou pelo menos não quer enxergá-lo. Nega, também, a relação entre esses crimes e o que aparentemente seria uma retaliação dos policiais, ou seja, a morte de vários suspeitos que teriam se confrontado com a polícia nessas últimas semanas. Mas se nega por um lado, por outro não consegue explicar o que está acontecendo.
Além disso, essa negativa não convence ninguém e não leva a lugar nenhum. Representantes políticos dos soldados já falaram abertamente na imprensa e disseram com todas as letras que o conflito existe e está se expandindo. Dentro dos quartéis, inclusive, já se fala em ‘caixa 2’ ou em ‘código vermelho’, que de forma geral significaria a justiça com as próprias mãos, uma vez que as leis não estão funcionando e não há respaldo dentro do governo estadual.
Em tese, parece que começamos a assistir ao início de uma guerra civil. Em função disso, muitos policiais já evitam andar sozinhos e fardados pelos bairros onde vivem. Outros já não aproveitam mais a gratuidade do transporte público só para não chamarem a atenção e outros ainda estão buscando maneiras de se deslocarem em grupos, o que certamente dificultaria a ação dos bandidos.
Essa situação é extremamente perigosa e preocupante para o equilíbrio social. De forma geral, os bandidos estão enfrentando a polícia sem medo algum. Muito diferente do que acontecia antigamente, estão atacando com a maior naturalidade, como se estivessem em total pé de igualdade com as forças de segurança em termos de tecnologia, armamentos e estratégica.
Se as coisas continuarem a caminhar desse jeito, logo teremos dificuldades em repor nosso efetivo policial, já que poucas pessoas estarão dispostas a arriscar suas vidas e de suas famílias em troca de salários baixos e de condições de trabalho que são atualmente bastante ruins.
Portanto, é hora de nossas autoridades reagirem com determinação. É preciso deter essa facção criminosa antes que ela cause mais estragos em nossas corporações e mais angústia e ansiedade no interior de nossa população. Para o cidadão comum, que acredita no Estado e em suas instituições, é um pouco amedrontador perceber que a polícia está sendo atacada de forma impiedosa. Se os bandidos perderem o medo da polícia, o que acontecerá a nós, pobres cidadãos?
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