Esconderam a história


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Os troféus que contavam a história esportiva do EETC (Escola Estadual Torquato Caleiro) ao longo de décadas já não se encontram mais no hall de entrada da escola. Como se fossem algo de pouco valor, ou mesmo um estorvo, agora fazem parte do almoxarifado, estocados em meio a poeira e outros objetos abandonados ao esquecimento ou à espera de uma utilização qualquer no futuro.

A notícia foi veiculada pela Difusora AM, na quinta-feira, dia 11/10, no programa diário do radialista Valdes Rodrigues. Avisado do que estava acontecendo por alguns indignados professores e ex-alunos, Valdes resolveu verificar o fato in loco. Na condição de ex-aluno da escola, considerou absurda a situação.

Recebido pela vice-diretora da escola, Valdes ouviu a confirmação da retirada dos troféus e sua nova destinação. Mas não conseguiu obter nenhuma justificativa, nem uma mais plausível nem outra qualquer, mais simples e corriqueira.

É difícil entender a atitude da direção. Os troféus na entrada da escola eram a concretização simbólica de toda uma história de vitórias e conquistas. No almoxarifado, eles são apenas pedaços de madeira e metal esquecidos, à disposição do tempo e à espera da decomposição.

Mas talvez esse seja um problema cultural. Na maioria das vezes, nos esquecemos de olhar para o passado para com ele aprendermos os caminhos e todos os percalços que enfrentamos para chegar até o presente. Reclamamos da corrupção, dizemos que nossos políticos não prestam, mas nem imaginamos que essa apropriação do público pelo privado começou praticamente ao mesmo tempo em que por aqui vicejaram os primeiros indícios de colonização. Lutamos hoje contra o preconceito racial, o que é ótimo, mas pouco sabemos sobre os nossos três séculos de história escravocrata, nossa abolição tardia e toda a exploração a que foram submetidos nossos escravos.

Diante de tantos problemas graves enfrentados pela Educação de uma forma geral, pode parecer menor voltar os olhos para uma questão como a exposição de troféus. Mas, no caso específico de Franca, tirar esses troféus do hall de entrada de uma das principais escolas públicas da cidade é o mesmo que tirar um pouco de nossa história dos olhares mais curiosos que adentram diária ou esporadicamente aquele espaço. É negar, por exemplo, a história do nascimento de nosso basquete, a única maneira de se entender essa força inexplicável que fez de uma pequena cidade do interior de São Paulo uma das maiores forças do basquete brasileiro.

Ao contrário do que foi feito, esses troféus mereciam uma belíssima estante, a qual pudesse acomodá-los adequadamente no hall de entrada e expô-los de uma forma mais condizente com sua importância simbólica e representativa.

Nesse sentido, vamos torcer para que a diretoria da escola reveja sua posição. Se não for possível comprar e projetar essa estante ideal, que pelo menos os troféus retornem ao lugar que já ocuparam durante décadas, permanecendo expostos ao olhar público como recortes da história de vida de nossos cidadãos e de nossa cidade.

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